Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
Os dados mais recentes do Vigitel Brasil 2006–2024, divulgados pelo Ministério da Saúde, reforçam o alerta sobre a persistência da epidemia da nicotina no País e evidenciam mudanças relevantes no padrão de consumo, com crescimento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEF). Esses achados convergem com resultados de outras pesquisas nacionais de referência, como a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e o III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), indicando que, apesar dos avanços no controle do tabagismo convencional, novos desafios se impõem à saúde pública brasileira.
O Vigitel demonstra avanços consistentes nas políticas de controle do tabaco ao longo das últimas duas décadas. A prevalência de fumantes adultos caiu de forma contínua, passando de 15,7% em 2006 para 11,5% em 2024, após atingir 9,0% em 2021 e 9,2% em 2023, com redução observada em ambos os sexos.
Destaca-se também a diminuição do número de fumantes intensos (≥20 cigarros/dia) e o aumento do percentual de ex-fumantes, achados que o próprio sistema associa à efetividade das políticas públicas de controle do tabaco, como ambientes livres de fumo, advertências sanitárias, tributação e ampliação do acesso ao tratamento da dependência da nicotina.