Antes associada principalmente a pessoas com mais de 50 anos, a Síndrome do Olho Seco vem se tornando cada vez mais comum entre os jovens e, especialmente, entre as crianças, e um dos principais motivos é o uso excessivo de telas. Dados de 2025 do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) apontam um crescimento expressivo no uso da internet e na posse de celulares entre bebês e crianças, indicando que 44% dos pequenos entre zero a dois anos já fazem uso de telas, o que pode contribuir para o surgimento da síndrome.
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Embora seja uma doença bastante frequente, é considerada complexa por ter múltiplas causas. Ela afeta a superfície dos olhos e o filme lacrimal, provocando desconforto, irritação e até distúrbios visuais.
Estudos apontam que no Brasil, entre 14% e 24% da população sofre com a síndrome, cujos sintomas incluem olhos vermelhos, sensação de areia ou corpo estranho, ardência e, em alguns casos, até lacrimejamento excessivo. Acordar com os olhos incomodando é uma das queixas mais comuns. Como se trata de uma condição multifatorial, o diagnóstico pode não ser tão simples e requer a avaliação de um especialista.
Segundo o médico oftalmologista Leon Grupenmacher, diretor técnico da Eco Oftalmologia, em Curitiba (PR), a síndrome do Olho Seco pode estar relacionada a diversas doenças sistêmicas, principalmente de origem reumatológica, como lúpus e artrite reumatoide. Além disso, fatores ambientais e de estilo de vida têm impacto direto no surgimento e agravamento da condição.
“Com o aumento do tempo que passamos diante de telas os olhos tendem a piscar menos e, com isso, o ressecamento se intensifica”, afirma Leon.
Isso ajuda a explicar por que tantas crianças e jovens têm apresentado sintomas que antes eram mais comuns em pessoas mais velhas. As mulheres na menopausa ou próximas dessa fase também têm maior predisposição à síndrome, devido às alterações hormonais naturais desse período.
Outros fatores de risco incluem ambientes secos, com ar-condicionado ou muito vento, uso prolongado de medicamentos como antidepressivos e antialérgicos, além do uso contínuo de lentes de contato, que podem prejudicar a lubrificação natural dos olhos. A falta de sono reparador e de vitaminas também contribuem para o agravamento do quadro.
O tratamento, na maioria das vezes, é clínico e visa controlar os sintomas e eliminar os fatores que provocam ou agravam a síndrome. “Medidas simples como umidificar o ambiente, mudar a direção do ar-condicionado, usar colírios lubrificantes e ajustar o tempo de exposição às telas já podem fazer uma grande diferença. Em casos mais específicos, o médico pode indicar o uso de medicamentos via oral ou até procedimentos cirúrgicos, mas isso só deve ser feito com orientação profissional”, completa o médico.
*Informações Assessoria de Imprensa