
Os métodos contraceptivos hormonais sempre despertaram muitas dúvidas nas mulheres. Há muitas discussões sobre as vantagens e desvantagens desse tipo de método, principalmente porque diversos estudos apontam efeitos colaterais, entre eles o aumento das chances de um evento trombótico, entre outros.
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“Acredita-se que o risco de desenvolver uma trombose aumenta de duas até quatro vezes em mulheres que fazem uso de métodos hormonais”, afirma Isadora Matias, ginecologista membro da AMCR (Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil). Segundo a médica, isso acontece porque a pílula tem efeito pró-coagulante, já que é composta por estrogênios e progestagênios. “Esses hormônios agem com a finalidade de bloquear a ovulação, mas ao mesmo tempo aumentam a viscosidade do sangue”, diz ela.
Apesar disso, a médica lembra que a pílula ou outros métodos hormonais não podem ser vistos como vilões. Conforme Isadora ressalta, eventos como a própria gestação e o puerpério aumentam muito mais o risco de distúrbios de coagulação do que o método contraceptivo em si. “Por isso, cada paciente precisa ser avaliada e ter seu histórico familiar e fatores de risco avaliados antes de decidir qual o melhor método contraceptivo para cada caso”, recomenda ela.
Outra preocupação comum nos consultórios é se a pílula eleva os riscos de câncer de mama. A ginecologista reforça que, de fato, tem um risco ligeiramente maior. “Obviamente que essa não é uma situação impeditiva de usar. O uso de álcool e excesso de peso são fatores que aumentam muito mais a chance de desenvolver um câncer de mama . Cada indivíduo tem suas peculiaridades e cabe ao médico avaliar a utilização de métodos hormonais nesse caso”, esclarece.
Outro mito comum é sobre a dificuldade para engravidar depois de um longo período evitando a gestação com ajuda dos hormônios. “Isso não é verdade. Tanto as pílulas quanto os modelos de DIU são totalmente reversíveis e a mulher volta a ficar fértil pouco tempo depois que encerra sua utilização”, reforça Isadora.
A médica lembra ainda que condições como: enxaqueca com aura , hipertensão , obesidade e tabagismo , associados ao uso de pílulas hormonais potencializa o risco de efeitos trombóticos.
Já sobre os benefícios que podem ser obtidos pelas mulheres que optam por esses métodos estão a melhora da TPM, das cólicas menstruais, da acne, a diminuição de pelos , e também diminui o risco de desenvolver doença inflamatória pélvica e câncer endometrial, de ovário e de cólon.
“Nos últimos tempos, a Medicina avançou muito e hoje os anticoncepcionais hormonais são produzidos, em sua maioria, com os hormônios estrogênio e progesterona sintéticos e alguns com hormônios naturais. Os benefícios gerados pelas misturas hormonais mudam conforme a resposta do corpo da mulher, mas certamente os efeitos colaterais são bem menores do que os benefícios que proporcionam. É importante conversar com um ginecologista para avaliar qual é a melhor forma de evitar uma gestação indesejada”, conclui ela.
*Informações Assessoria de Imprensa