Ao receber a emergência do CBC, ainda com muito vigor para exercer o apaixonante ofício de cirurgião, onde ciência e arte coexistem de forma harmônica, permito-me fazer neste momento algumas reflexões dirigidas aos jovens cirurgiões que agora passa a fazer parte do nosso quase centenário Colégio.
Qual a missão de um cirurgião? Fazer o melhor para cada um de seus pacientes, agregando uma série de competências: conhecimento, experiência, habilidade, bom senso. Porém, é necessário que a todos esses predicados se adicione um rígido padrão de comportamento: dedicação, honestidade, ética, moral e a fundamental humildade, não só para reconhecer as próprias limitações, mas também para pautar o relacionamento com nossos pacientes, seus familiares e com todos aqueles que conosco atuam na nobre missão de cuidar das pessoas.
Infelizmente, vivemos um momento conturbado do ensino e da prática médica, sob vários aspectos:
- Mais do que dobramos o número de faculdades de medicina nos últimos 20 anos e hoje temos quase 500 faculdades abertas ou autorizadas pelo MEC, com gargalos intransponíveis para muitas delas, que são ter um corpo docente qualificado e o acesso a instituições de treinamento preparadas para o ensino. O que temos visto é um lamentável “engana que eu gosto”, isto é, enganando estudantes de medicina ao não lhes oferecer uma formação mínima adequada e eles, estudantes, por inexperiência ou necessidade interior, colocando suas aspirações de ser médicos acima da análise crítica de suas próprias faculdades. Aliás, os resultados do ENADE, embora um exame limitado, tornou pública uma situação que nós, da área médica, vimos denunciando há mais de uma década, que é a incompetência de novas faculdades de medicina para formar seus alunos, com mais de 30% das 351 faculdades envolvidas nesse exame recebendo notas mínimas em função…



