Dente mole em adulto não é normal, mas também não significa que a extração seja inevitável. Em alguns casos, o tratamento da doença que causou a mobilidade permite estabilizar e preservar o dente natural.
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Uma das causas do problema é a periodontite, inflamação que destrói progressivamente o osso e as fibras responsáveis por manter os dentes firmes. Como a doença pode avançar quase sem dor, muitos pacientes só percebem a gravidade quando o dente começa a se movimentar.
“Um dente que amoleceu não é, automaticamente, um dente perdido”, afirma Cristina Miura, dentista especialista em periodontia e implantodontia.
Como a periodontite deixa o dente mole
A doença costuma começar com sinais semelhantes aos de uma gengivite, como gengiva vermelha, inchada e sangramento durante a escovação ou o uso do fio dental.
Quando a inflamação não é controlada, as bactérias acumuladas abaixo da gengiva passam a destruir o osso e as fibras que seguram o dente. A perda de sustentação pode acontecer sem provocar uma dor forte, o que favorece o atraso no diagnóstico.
Nos Estados Unidos, cerca de 42% dos adultos com 30 anos ou mais apresentavam algum grau de periodontite em um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, o CDC, realizado entre 2009 e 2014. Entre as pessoas com 65 anos ou mais, a proporção chegava a aproximadamente 60%.
O sangramento frequente não deve ser considerado normal. Ele pode ser o primeiro sinal de uma inflamação que precisa ser avaliada antes de provocar uma perda do osso.
Tratamento costuma começar sem cirurgia
A periodontite não exige cirurgia em todos os casos. A diretriz publicada em 2020 pela Federação Europeia de Periodontia recomenda que o tratamento comece com orientação de higiene, controle dos fatores de risco e instrumentação subgengival, uma limpeza profunda realizada abaixo da gengiva.
Depois dessa etapa, o dentista avalia a resposta do paciente. Procedimentos cirúrgicos podem ser indicados quando pontos mais profundos continuam inflamados ou não cicatrizam como esperado.
Em alguns casos, o dente também pode ser contido para reduzir a mobilidade. A medida, porém, não substitui o tratamento da doença que provocou a perda de sustentação.
Quando a extração é necessária
A retirada pode ser indicada quando o comprometimento é avançado e já não existem condições de preservar o dente. Ainda assim, a extração não elimina a periodontite presente no restante da boca.
“Extrair resolve o sintoma, mas não a doença: se a periodontite continuar ativa, ela seguirá agindo sobre os dentes vizinhos”, alerta Cristina.
Próteses e implantes são alternativas importantes quando o dente natural já não pode ser mantido. Antes da substituição, é necessário controlar a doença para impedir que ela continue comprometendo outras estruturas.
Sinais que merecem atenção
O que o paciente pode fazer
*Informações Assessoria de Imprensa