Vinicius Junior, Mc Daniel a Bad Bunny. Os sorrisos de tonalidade extremamente branca têm chamado atenção entre celebridades e impulsionado uma tendência estética nas redes sociais. O fenômeno, conhecido como brancorexia, descreve a busca compulsiva por dentes cada vez mais claros, mesmo quando o sorriso já atingiu um resultado harmonioso. Embora o clareamento dental seja um procedimento consagrado na odontologia estética, a obsessão por um branco considerado perfeito pode trazer riscos para a saúde bucal.
Veja também – Como funcionam os implantes dentários?AMP
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Médica, Odontológica e Hospitalar (ABIMO), cerca de 12 milhões de brasileiros recorrem ao clareamento dental. Para a dentista e especialista em harmonização orofacial da SorriaMed, Carolina Prata, dentes excessivamente brancos não são sinônimos de um sorriso mais bonito. Quando realizado sem critérios técnicos ou repetido além do recomendado, o clareamento pode também comprometer a estrutura dental.
“Não existe um branco universal. A cor natural dos dentes varia de acordo com características individuais, como espessura do esmalte, dentina, idade e até fatores genéticos. Um clareamento bem executado é aquele que respeita esses limites biológicos e entrega um resultado compatível, sem descaracterizar a aparência do paciente”, conta.
A especialista explica que a estética do sorriso deve ser analisada de forma integrada. Um branco excessivamente intenso pode destoar do tom de pele, dos lábios, da idade, produzindo um efeito plástico.
“Percebemos um aumento de pacientes que chegam ao consultório mostrando fotos de celebridades e perguntando se conseguem ficar com os dentes exatamente daquela cor. Esse tipo de comparação é perigoso porque reforça dependência de padrões de beleza irreais”, conta.
Riscos para a saúde
Carolina aponta que o uso indiscriminado de agentes clareadores, especialmente sem supervisão odontológica, pode provocar sensibilidade intensa, irritação dos tecidos bucais e danos ao esmalte quando empregado de forma inadequada. Em situações mais graves, o excesso pode atingir estruturas mais profundas do dente, comprometendo sua vitalidade.
“Outro fator de preocupação são as receitas caseiras e os produtos comercializados pela internet com promessas de resultados rápidos e de baixo custo. Substâncias como bicarbonato de sódio, limão e água oxigenada continuam circulando nas redes sociais como alternativas ao clareamento profissional. Isso é muito grave. Nenhum desses possuem eficácia comprovada e podem causar desgastes irreversíveis à superfície dental”, conta Carolina.
Intervenção da Anvisa
Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento das fitas clareadoras Oiwhite, produzidas pela empresa Belcher Farmacêutica do Brasil S.A. e amplamente divulgadas em plataformas como TikTok. Comercializadas sem registro sanitário, as chamadas whitening strips prometiam clareamento rápido e eram vendidas diretamente ao consumidor sem qualquer parecer odontológico.
Para Carolina, casos como esse evidenciam como a facilidade de acesso a produtos clareadores pode transmitir uma falsa sensação de segurança.
“Clareamento dental não é um procedimento padronizado. Antes de qualquer indicação, avaliamos condições como espessura do esmalte, presença de restaurações, retrações gengivais, histórico de sensibilidade e até hábitos alimentares. Produtos vendidos livremente ou recomendados por influenciadores ignoram essas particularidades. O melhor resultado não é a brancorexia, e sim aquele que preserve a funcionalidade dos dentes e mantenha um sorriso bonito e natural ao longo do tempo”, conclui.
*Informações Assessoria de Imprensa