Saber quando procurar um pronto-socorro pode fazer a diferença no atendimento ao paciente. O sistema é saúde é composto por diferentes estruturas, preparadas também de formas diversas para dar conta das demandas conforme os casos da população. Em situações de urgência e emergência, hospitais, pronto-socorro e unidades de atendimento adotam métodos para atender os pacientes com prioridades. Conhecido como Protocolo de Manchester, o acolhimento de pacientes baseado na classificação de risco de vida é utilizado em hospitais de todo o mundo para garantir o melhor atendimento a quem precisa.
Chefe do Pronto Socorro do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), a médica Mariana Singer destaca a importância da triagem na chegada do pronto-socorro, que leva em conta os sintomas do paciente, o tempo de início desses sintomas e os sinais vitais (pressão arterial e frequência cardíaca, entre outros), a fim de classificar a urgência e priorizar os atendimentos. “Há estudos mundiais mostrando que cerca de 60% dos atendimentos realizados em prontos-socorros, em geral, não são de urgência e emergência, o que prejudica significativamente a agilidade no atendimento dos pacientes graves ou potencialmente graves”, enfatiza.
Desde sua criação, o pronto-socorro do Hospital Angelina Caron (HAC) segue o Protocolo de Manchester, além das recomendações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para estes atendimentos. Além disso, para tornar os processos mais rápidos e eficientes para os principais casos de urgência e emergência, o hospital inaugurou no início de 2019 a Unidade de Dor Torácica (UDT), que agiliza o atendimento aos pacientes com doenças cardíacas e respiratórias, em especial atendimentos imediatos de pessoas com infarto.
Na entrevista a seguir, a especialista esclarece as principais dúvidas sobre quando procurar um pronto-socorro:
Quais as orientações para que o paciente procure um pronto-socorro?
O paciente deve buscar um pronto-socorro quando em quadros agudos, isto é, queixas de início recente. Os casos atendidos no PS são aqueles que colocam o paciente em risco de vida: as urgências e emergências, como infarto, AVC, apendicite aguda, acidentes de trânsito, baleados, entre outros.
Quando procurar um pronto-socorro? Quando é preciso procurar uma unidade de saúde e não o PS do hospital?
Dores crônicas, solicitações de exames, doenças de longa data e investigações devem buscar atendimento nas unidades municipais de saúde – Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
É preciso lembrar que o ambiente de pronto-socorro é um local para atendimentos dinâmicos e rápidos, com o objetivo de tratar o paciente e evitar complicações mais graves. A superlotação por doenças sem caráter de emergência sobrecarrega o sistema e atrasa o atendimento daqueles que realmente precisam de forma imediata.
Além disso, o ambiente hospitalar aumenta o risco de transmissão e contaminação por doenças, sendo perigoso para quem busca o pronto-socorro sem necessidade e também para os doentes internados.
O Pronto-Socorro do HAC segue protocolos internacionais de atendimento. Em resumo, como eles funcionam?
No nosso pronto-socorro seguimos o Protocolo de Manchester. Ele classifica o paciente em cinco cores diferentes conforme a gravidade e determina um tempo limite para que o atendimento aconteça. A classificação é definida na triagem do paciente assim que ele chega ao hospital. Essa avaliação é feita por uma enfermeira treinada para aplicar o protocolo.
As cores são:
– Vermelho (emergência): neste caso o paciente necessita de atendimento imediato.
– Laranja (muito urgente): o paciente necessita de atendimento o mais rápido possível.
– Amarelo (urgente): neste caso o paciente necessita de avaliação, o caso não é considerado emergência, e o paciente já tem condições de aguardar o atendimento.
– Verde (pouco urgente): Casos pouco graves, que podem inclusive ser tratados em ambulatórios.
– Azul (não urgente): Casos de baixa complexidade, o paciente deve ser tratado em ambulatórios.
Como a Unidade de Dor Torácica do HAC tem auxiliado nas situações cardiorrespiratórias mais graves?
A Unidade de Dor Torácica (UDT) foi um grande avanço na qualidade e agilidade dos atendimentos de pacientes com infarto no pronto-socorro do Hospital Angelina Caron. O paciente é prontamente identificado na triagem como paciente do “Protocolo de dor torácica” e atendido por um cardiologista que vai definir como o paciente vai ser tratado.
Nos casos de infarto o paciente fica internado nessa unidade para ser monitorado 24 horas. A UDT dispõe de serviço de hemodinâmica também 24 horas para realizar os cateterismos e angioplastias de emergência desses pacientes. Quanto mais rápido é o atendimento do paciente cardiológico, melhor é o resultado do tratamento e sua recuperação.
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