Vacina materna contra o vírus sincicial respiratório (VSR) é incorporada ao SUS e amplia defesa dos recém-nascidos

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(Foto: Freepik)

O final de 2025 marcou um avanço significativo na saúde pública brasileira com a incorporação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) destinada às gestantes. A estratégia tem como objetivo induzir uma resposta imunológica capaz de proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade às infecções respiratórias. A iniciativa integra a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) “Vacina Vírus Sincicial Respiratório (VSR)”, aprovada pelo Ministério da Saúde e desenvolvida pelo Instituto Butantan em cooperação com a Pfizer Inc. e a Pfizer Brasil Ltda. 

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Segundo o professor João Gregório Neto, do curso de Enfermagem da Faculdade Santa Marcelina, a chegada da vacina ao SUS representa “um marco tecnológico e um passo decisivo na redução das hospitalizações e complicações respiratórias em bebês, especialmente os menores de seis meses”, diz. 

O vírus sincicial respiratório é reconhecido como a principal causa de infecções do trato respiratório inferior em lactentes e crianças menores de dois anos. Ele é responsável por cerca de 75% dos episódios de bronquiolite viral aguda e 40% das pneumonias nas épocas de maior circulação. Na região Sudeste, a sazonalidade se concentra entre março e julho, embora a transmissão possa ocorrer durante todo o ano, evidenciando a ampla capacidade de disseminação do vírus. 

No cenário global, o impacto do VSR é expressivo. Estima-se que o vírus seja responsável por mais de 100 mil mortes anuais, 3,6 milhões de hospitalizações e aproximadamente 33 milhões de infecções do trato respiratório inferior em crianças menores de cinco anos. Lactentes, especialmente os com menos de seis meses, continuam sendo o grupo de maior risco para evolução grave, com taxas elevadas de internação. Entre prematuros, cardiopatas e crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade, a morbimortalidade é ainda mais alta. 

Dados do Ministério da Saúde indicam que, até agosto de 2025, foram registradas 31.493 hospitalizações por VSR em crianças menores de dois anos, representando 81% dos casos notificados. Destas, 20.719 correspondiam a bebês com menos de seis meses, 6.074 tinham entre sete meses e um ano e 4.700 estavam na faixa de um a dois anos. No mesmo período, foram contabilizados 236 óbitos, equivalentes a 0,6% do total. 

O professor João Gregório Neto destaca que a transmissão do VSR ocorre principalmente pelo contato direto com secreções de indivíduos infectados ou por superfícies contaminadas. “Os quadros clínicos vão desde sintomas leves, como tosse e coriza, até infecções graves como bronquiolite e pneumonia, que podem evoluir para insuficiência respiratória e óbito”, explica. Ele também reforça que “não há tratamento antiviral específico para o VSR, e o manejo clínico é essencialmente de suporte, muitas vezes envolvendo hospitalização e suplementação de oxigênio”, explica. 

Nesse contexto, a prevenção emerge como o principal instrumento de mitigação. O esquema vacinal prevê dose única para todas as gestantes a partir da 28ª semana, independentemente da idade materna. A meta é alcançar 80% desse público, reforçando a cultura de prevenção no pré-natal e reduzindo a pressão sobre os serviços de saúde, incluindo unidades de terapia intensiva. 

“A vacinação materna funciona como um verdadeiro escudo imunológico para o bebê, protegendo-o justamente no período em que ainda não pode receber a vacina diretamente”, afirma Gregório Neto. Para ele, a decisão do SUS de incorporar a vacina representa “uma política pública que combina evidência científica, inovação tecnológica e equidade, ampliando a capacidade do país de enfrentar um dos mais relevantes desafios respiratórios da infância”, finaliza. 

*Informações Assessoria de Imprensa

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