Quem nunca utilizou um medicamento para aliviar alguma dor ou incômodo? A automedicação pode ser comum para muitas pessoas mas essa prática envolve grandes riscos para a saúde. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 20 mil pessoas morrem por ano no Brasil por se automedicarem. E para a visão, utilizar remédios sem prescrição médica envolve riscos ainda maiores e que podem se manifestar até mesmo em outros órgãos.
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As substâncias mais comuns na automedicação ocular são os colírios, utilizados para aliviar dores e incômodos nos olhos. Porém, seu uso sem prescrição pode mascarar sintomas de doenças mais graves e pode desencadear novos problemas. “As gotinhas de um colírio podem parecer inofensivas, mas não são. Alguns colírios podem, por exemplo, contrair os vasos sanguíneos e mudar o ritmo cardíaco e até alterar a pressão arterial. Isso acontece porque o líquido do colírio é levado do olho até a corrente sanguínea. Todo cuidado é pouco”, alerta o oftalmologista João Guilherme de Moraes.
Outra condição grave, segundo o especialista, é a possibilidade de se desenvolver o glaucoma, causado pelo aumento da pressão intraocular, e a catarata, em que o cristalino, responsável pela formação das imagens, começa a perder a transparência. O médico ainda cita a possibilidade de riscos de lesões na córnea, como as úlceras, causadas por bactérias ou fungos. Segundo ele, para além dos colírios, o uso indiscriminado dos corticoides, anti-inflamatórios e dos antibióticos também podem desencadear problemas de visão ou deixar o corpo vulnerável a novas infecções. O tratamento de conjuntivites por conta própria é o mais comum nesses casos.
“Ao utilizar os medicamentos, muitos pacientes não sabem qual é o tipo de infecção que possuem e, por isso, podem utilizar medicamentos ineficazes, que podem gerar resistência bacteriana, por exemplo, ou que podem mascarar os sintomas de uma doença mais grave. Outro perigo sério é a possibilidade de interação entre os medicamentos ou de predisposição a alguma outra doença que podem causar intoxicação e podem até mesmo levar ao óbito”, explica João Guilherme. Dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) mostram que, todos os anos, mais de 30 mil pessoas são internadas e 20 mil pessoas morrem por conta da intoxicação causada por medicamentos.
Para evitar problemas e condições gravosas à saúde, o oftalmologista explica que, ao identificar qualquer tipo de sintoma ocular, a pessoa deve procurar um médico especialista que poderá realizar exames, identificar as condições e prescrever os colírios e outros medicamentos corretos, além de indicar a dosagem e o tempo de utilização necessário. “É importante que o paciente realize o tratamento correto pelo tempo indicado e que o médico possa realizar o acompanhamento necessário, avaliando a eficácia do tratamento e realizando ajustes na prescrição dos medicamentos, se for necessário. Isso se torna ainda mais importante no caso de pacientes que já possuem alguma condição que demanda mais atenção como o glaucoma, por exemplo”, destaca.
A existência de infecções ou outros tipos de alterações também podem indicar a existência ou a predisposição de problemas mais sérios para pacientes que possuem um histórico familiar, como é o caso do glaucoma e da catarata. “Por isso, é muito importante realizar exames regulares e realizar o check-in oftalmológico com regularidade. O médico especializado saberá olhar para essas questões e indicar exames preventivos”, finaliza.
*Informações Assessoria de Imprensa