O período de férias escolares, independentemente da idade, traz um misto de sentimentos: a alegria pelo descanso e por poder estar mais tempo com os filhos em casa, e a preocupação em como manejar o tempo livre de forma saudável e equilibrada. Se, antigamente, o desafio maior era controlar o horário de dormir e acordar, hoje, cuidadores precisam, também, se atentar ao uso excessivo de telas durante esse período de rotina mais flexível.
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As férias, inclusive, costumam ser sinônimo de mais liberdade e diversão – e é natural que as telas ganhem um espaço maior nesse momento, já que crianças e adolescentes tendem a buscar entretenimento de forma rápida e fácil. Os pais, por sua vez, também relaxam um pouco mais. O problema, no entanto, é quando a flexibilização saudável dá espaço a um uso ilimitado destes recursos. “O ponto de atenção é quando as telas ocupam todo o espaço do dia. Não é necessariamente um problema exceder um pouco, desde que isso não se transforme na única forma de descanso. O risco não está no número de horas isoladamente, mas no que é perdido quando a tela ocupa tudo: convivência, movimento, sono e experiências reais”, comenta a diretora do PB Colégio e Curso, Valma Souza.
Esse excesso, conforme a profissional, pode fazer com que a tela vire uma espécie de “anestesia emocional”. Por oferecer um alívio imediato após um ano intenso, principalmente no caso dos adolescentes, o exagero faz com que ela substitua outras formas de descanso. “Surgem sintomas como irritabilidade, piora do sono, queda de motivação e até menor tolerância ao tédio. Eles ficam hiperestimulados e, ao mesmo tempo, pouco conectados à vida real.”
O manejo da situação, contudo, não precisa ser de imposições, mas, sim, de acordos claros e adequados a cada faixa etária. Segundo Valma, os acordos respeitam a autonomia deles, que é algo muito forte na adolescência. “Em vez de “proibir tela”, funciona pensar em janelas: janelas de tela e janelas de vida real. Caminhada, passeio rápido, um jogo em família, uma saída curta. Quando o dia tem diversidade, a tela não vira inimiga nem protagonista”, orienta.
Além disso, é importante que crianças e adolescentes entendam, durante as férias, que o tédio também faz parte do descanso – um sentimento “perdido” ultimamente. É justamente nos períodos de tédio que surgem espaços para criatividade e repertório interno, possibilitando, inclusive, momentos reais de conexão em família.
O uso excessivo de telas e o sono
A diretora reforça, no entanto, que é preciso estar atento ao uso de dispositivos eletrônicos próximo ao horário de dormir, pois a luz e o estímulo atrapalham o processo natural de desaceleração. “A recomendação é que as telas sejam desligadas pelo menos uma hora antes de dormir. Se o adolescente está indo dormir muito tarde por causa das telas, vale combinar horários, não impor, pois eles aceitam melhor quando fazem parte da decisão.”
Por fim, Valma reforça que, quando pais e cuidadores estão realmente ali, presentes de verdade, a tela perde a força naturalmente. Atividades simples, como um passeio curto, um sorvete na rua, cozinhar algo juntos ou caminhar num parque estimulam essas conexões. “Férias não são sobre controlar, são sobre viver experiências que a criança e o adolescente vão levar para o ano letivo como referência emocional”, completa.