TSH baixo sem sintomas? A tireoide pode estar pedindo atenção ao coração

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(Foto: stefamerpik/Magnific)

O TSH é o principal exame usado na avaliação inicial do funcionamento da tireoide. Quando o resultado aparece abaixo do valor de referência, pode indicar hipertireoidismo, mas também estar relacionado ao uso de medicamentos ou a uma alteração transitória do organismo. No Brasil, o hipertireoidismo subclínico está presente em cerca de 5% a 7% da população adulta assintomática. Além disso, estima-se que de 10% a 15% dos casos agudos de fibrilação atrial sejam causados pelo hipertireoidismo, segundo o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

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Um TSH baixo pode ser compatível com hipertireoidismo subclínico. Nessa condição, o TSH está reduzido, mas os hormônios produzidos pela tireoide — T3 e T4 — permanecem dentro dos valores de referência. Esses hormônios podem ser medidos nas formas total ou livre, embora o T4 livre seja geralmente o principal exame complementar nessa investigação. Como os sintomas podem ser leves ou inexistentes, muitas pessoas descobrem a alteração em exames de rotina.

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“O termo subclínico pode dar a impressão de que a alteração não tem importância. Embora o paciente possa não apresentar sintomas, o quadro precisa ser acompanhado, porque pode trazer repercussões para o organismo, principalmente para o coração”, explica Rosita Fontes, endocrinologista do laboratório carioca Sérgio Franco, que faz parte da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil.

Qual é a relação com o coração?

Os hormônios da tireoide ajudam a controlar o ritmo e a força dos batimentos cardíacos, além de influenciarem a pressão arterial. Por isso, alterações no funcionamento da tireoide podem desencadear ou agravar problemas cardiovasculares preexistentes.

Quando há excesso de hormônios tireoidianos, o coração pode bater mais rápido ou de maneira irregular. Uma das principais complicações é a fibrilação atrial, um tipo de arritmia que deixa os batimentos descompassados e, muitas vezes, acelerados.

A condição pode provocar palpitações, cansaço, falta de ar e tontura, além de aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC).

“A função da tireoide deve ser investigada em pacientes com fibrilação atrial. Essa recomendação se torna especialmente importante para os idosos. Em alguns casos, a alteração do ritmo cardíaco pode ser um dos primeiros sinais de hipertireoidismo subclínico”, afirma Rosita.

A atenção deve ser redobrada com o avanço da idade. O hipertireoidismo subclínico está associado a um risco maior de fibrilação atrial, especialmente em pessoas mais velhas. Por isso, as diretrizes recomendam atenção particular aos pacientes com mais de 65 anos. Além disso, seus sinais podem ser confundidos com manifestações comuns do envelhecimento. Cansaço, fraqueza, perda de peso e palpitações nem sempre são reconhecidos como possíveis sintomas de uma alteração na tireoide.

Entre as causas do hipertireoidismo subclínico estão a doença de Graves — uma condição autoimune que pode fazer a tireoide produzir hormônios em excesso —, os nódulos tireoidianos hiperfuncionantes e o uso de hormônio tireoidiano em dose maior do que a necessária.

Alguns medicamentos também podem interferir nos níveis de TSH e devem ser considerados na interpretação do exame.  “Um único resultado não permite concluir que o paciente tenha hipertireoidismo. É preciso que o médico assistente conheça o seu estado de saúde, verifique os medicamentos utilizados e analise os demais exames antes de definir a conduta”, alerta a endocrinologista.

Como é feita a investigação?

A investigação começa com a confirmação da alteração do TSH e a dosagem dos hormônios tireoidianos. O T4 livre costuma ser avaliado e, conforme o caso, o médico também pode solicitar a dosagem do T3. Esses exames ajudam a verificar se há excesso de hormônios tireoidianos ou se a alteração está restrita ao TSH naquele momento.

De acordo com a avaliação clínica, o médico também pode solicitar exames de anticorpos, como TRAb ou TSI e anti-TPO, que auxiliam na investigação de doenças autoimunes da tireoide. Exames de imagem, como ultrassonografia e cintilografia, podem ser indicados para ajudar a esclarecer a causa da alteração.

Quais são os tratamentos?

A necessidade de tratamento depende da intensidade e da persistência da redução do TSH, da causa identificada, da idade do paciente e da presença de fatores de risco, como fibrilação atrial ou doença óssea. Em algumas situações, o médico pode recomendar apenas o acompanhamento clínico e a repetição dos exames após um período determinado. Em outras, pode indicar tratamento específico para a causa do hipertireoidismo, como medicamentos antitireoidianos, iodo radioativo ou cirurgia.

Quando há palpitações ou aceleração dos batimentos, o médico pode avaliar medidas para controlar esses sintomas. A escolha do tratamento deve ser individualizada e não deve ser feita com base apenas em um resultado isolado de TSH.

Pessoas com TSH baixo devem conversar com o médico, especialmente se tiverem mais de 65 anos, histórico de doença cardíaca ou sintomas como palpitações, falta de ar, dor no peito, tontura ou desmaio. Na presença de dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou palpitações persistentes, é importante buscar atendimento médico imediato.

*Informações Assessoria de Imprensa

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