O tratamento da obesidade no Brasil vive um momento de transição. Com o avanço de novas drogas e tecnologias, o papel do médico deixou de ser estritamente técnico para tornar-se mais estratégico. Representante desse movimento, o cirurgião digestivo e bariátrico César De Fazzio explica que o emagrecimento não acontece na sala de cirurgia, mas na articulação minuciosa de todas as etapas do cuidado com o paciente de maneira holística e continuada — o que pode, em alguns casos, até mesmo dispensar o recurso do bisturi.
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“O procedimento, seja ele clínico ou cirúrgico, é apenas uma ferramenta. O que viabiliza bons resultados é a capacidade de enxergar o paciente de forma global e individualizada, além da adesão dele ao tratamento proposto”, afirma o especialista. Para ele, cabe ao profissional da medicina orientar o paciente desde a indicação do protocolo clínico mais adequado até a execução de intervenções de alta complexidade, quando se fizerem necessárias, sempre sob o rigor da segurança e da ética.
Na visão de De Fazzio, a formação robusta habilita o cirurgião a assumir o papel de coordenador do plano de emagrecimento, integrando frentes essenciais como a nutrição e a psicologia em um acompanhamento de longo prazo. Esse modelo de gestão estratégica permite identificar o momento exato de transição entre protocolos, por exemplo, combatendo problemas como a estagnação da perda de peso e fazendo com que o paciente se sinta amparado em todas as fases do processo.
Abordagens farmacológicas
“De maneira nenhuma a cirurgia bariátrica será substituída pelas novas medicações, quando falamos em pessoas que possuem indicação. Vejo, na verdade, um aumento do nosso arsenal terapêutico e das ferramentas que conseguimos trazer para melhorar a vida do paciente”, afirma César De Fazzio sobre fármacos “da moda”, como as canetas emagrecedoras. Segundo o médico, o caminho ideal — seja medicamento, cirurgia ou uma combinação de ambos — surge a partir de um diagnóstico criterioso, focado no histórico do paciente, expectativas e suas reais necessidades.
Nesse cenário, o especialista alerta para os riscos de soluções rápidas e protocolos sem base científica, frequentemente propagados por influenciadores sem formação médica. “Promessas de emagrecimento milagroso e visões puramente comerciais do tratamento desconsideram a complexidade da obesidade, que é uma doença crônica multifatorial, e geram ciclos de frustração que podem agravar essa condição de saúde”, finaliza.
*Informações Assessoria de Imprensa