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Sobre as garantias da vida

Será que existem?

por Jociane Casellas

27/09/2021
Créditos: Pixabay

Quais são as garantias que temos durante a vida?


Poucas, bem poucas. Já pensou sobre isso?


Passamos grande parte do nosso tempo em busca de garantias.


Garantia de estabilidade no trabalho, de relacionamentos duradouros, garantia de que fizemos a escolha certa, de que nada vai dar errado, de que nossos planos sejam efetivados. Garantia de vida longa e sem sofrimento, dentre muitas outras.


E esquecemos que, na vida, poucas são as garantias. Talvez a única coisa garantida nela seja a da nossa finitude. A única coisa certa que temos desde que nascemos é que um dia vamos morrer. Isso não muda pra ninguém. Somos seres finitos, quanto a isso não há negociação.


E na busca desenfreada por garantias, deixamos de viver o momento presente ou a situação tal qual como se apresenta. Nos apegamos muito ao ideal e deixamos de viver o que de real se apresenta.


Atrelado à nossa necessidade de garantia está nosso desejo de controle. Há algumas coisas em nossa vida que podemos controlar, que dependem de nós mesmos. Mas há outras que nunca conseguiremos exercer total domínio porque dependem de pessoas ou circunstância externas e alheias à nossa vontade.


Por exemplo, numa discussão só podemos ter controle daquilo que nós pensamos, falamos e sentimos. Sobre aquilo que o outro pensa, fala, como age ou sente jamais poderemos exercer controle; somente ele poderá fazer isso por si mesmo e decidir de que forma irá gerenciar essa circunstância.


E mesmo sobre coisas as quais planejamos, pode ser que não consigamos exercer total controle. Há um dinamismo próprio da vida que faz com que muitas coisas saiam fora do planejado.


Não estou sugerindo com isso que não devamos ter sonhos e fazer planejamentos, ao contrário, é importante que tenhamos objetivos na vida. O que proponho é que tenhamos sempre em mente que nem tudo vai sair do jeito que gostaríamos e precisaremos saber lidar com isso e com uma possível e consequente frustração.


Coisas boas e coisas ruins podem nos acontecer sem que tenhamos muito controle sobre isso. A diferença estará em como vamos lidar com determinadas mudanças. Acionar o “recalcular rota” talvez seja a melhor saída.


(Foto: Pixabay)


Uma pessoa que recebeu o diagnóstico de uma doença potencialmente fatal tem sua vida totalmente alterada. Aquela que recebeu uma proposta irrecusável de um trabalho no exterior também. Situações totalmente opostas, mas com grande potencial de alteração de rotina e perspectiva de vida.


Esforços serão engendrados na situação, porém sem a garantia do efetivo sucesso. Muitas vezes damos o nosso melhor naquilo que nos propomos a fazer, porém isso não é garantia que tudo dará certo, porque na maioria das vezes outras variáveis estarão envolvidas.


O segredo está em viver as situações sem esperar muita coisa em troca. Deixar que elas aconteçam da forma que tem que acontecer. E lembrar que nem as coisas boas, nem as coisas ruins duram eternamente. Tudo na vida tem um tempo certo de duração, o tempo necessário de permanência.


O que é bom passa, o que é ruim também. Talvez essa seja a garantia mais sábia e certa com a qual podemos contar.


Aproveitemos o que temos hoje para aproveitar, pois amanhã tudo pode mudar.


*Jociane Casellas é psicóloga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná e atua há mais de 10 anos na área da saúde. Pós- graduada em Psicologia Clínica com ênfase na abordagem Sistêmica, pós-graduada em Psicologia Hospitalar especialista em Psico-Oncologia, com atuação em Cuidados Paliativos. Pós-graduanda em Psicologia Transpessoal e Mestranda em Bioética, além de colunista do portal Saúde Debate


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