Sintomas de ansiedade em crianças podem ser confundidos com birra. Saiba como identificar!

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(Foto: Freepik)

Se você tem uma criança em casa, ou convive com o público infantil em algum ambiente, provavelmente já notou como o comportamento – e a própria infância – parecem mais “acelerados”. Irritabilidade mais frequente, dificuldade em se concentrar por mais tempo em brincadeiras, problemas para dormir… as queixas são várias. No entanto, grande parte esconde o mesmo problema: o crescimento da ansiedade em crianças.

Diferente dos adultos, a ansiedade na infância pode apresentar sintomas mais sutis e, inclusive, mais difíceis de serem diagnosticados, uma vez que os pequenos têm dificuldade em explicar o que sentem. “Mudança no apetite, queixas físicas como dor de estômago ou cabeça frequentes, explosões de raiva ou agressividade, e até mesmo evitar situações ou atividades que geram ansiedade são sintomas comuns. No entanto, tais comportamentos geralmente são confundidos com birras ou desobediência”, comenta a psicóloga Bianca Berlim Zambon

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Apesar de estudos recentes apontarem que a ansiedade atinge em torno de 15% das crianças, a profissional lembra que o número pode ser ainda maior, já que o diagnóstico enfrenta desafios. “A ansiedade pode ser difícil de detectar, ainda mais quando não se têm habilidades para expressar seus sentimentos, sem contar as famílias que não têm um acesso a informações relacionadas à saúde mental infantil.” Além disso, não há idade mínima para que os sintomas apareçam, por mais que sejam mais frequentes em crianças mais velhas e adolescentes.

Não é novidade, também, que o uso excessivo de telas contribui para o aumento no número de crianças ansiosas. Assim como os adultos, os pequenos são bombardeados com informação de todos os lados. Não há mais tempo de espera, com conteúdos sendo recebidos de forma rápida e pronta, contribuindo para a impaciência e aumentando a ansiedade. “Como esse acesso às telas e à tecnologia tem acontecido com crianças cada vez mais jovens, a própria ansiedade também tem sido percebida mais cedo e com mais frequência. Porém, vale lembrar, ainda, que pais ansiosos podem gerar filhos ansiosos”, destaca Bianca, reforçando o papel da família e do ambiente na construção da saúde mental dos mais novos.

Além das telas e da própria rotina acelerada, situações de estresse, traumas e cobranças em excesso também são citadas pela psicóloga como fatores prejudiciais. “Diálogo é muito importante, assim como validar os sentimentos das crianças e conversar sobre eles e as preocupações. Porém, em casos de ansiedade infantil, a procura de profissionais da saúde mental é imprescindível.”

Independentemente da idade, é necessário estar atento a todo momento ao comportamento dos pequenos. Qualquer mudança repentina pode ser um indicativo de algo não vai bem, conforme Bianca. Além disso, pais e cuidadores têm a responsabilidade de analisar quais tipos de conteúdo as crianças e adolescentes estão acessando, priorizando sempre o tempo de qualidade fora das telas.