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Síndrome pós-Covid e queda de cabelo: a alimentação pode ajudar

Motivo da queda de cabelo no pós-Covid ainda é estudada, mas orientação correta pode ajudar na recuperação dos pacientes

por Mariana Paganotto

13/09/2021
Créditos: Pixabay

A Síndrome pós Covid ou Covid Longo se caracteriza pelo conjunto de sinais e sintomas relacionados ao período pós infecção pelo vírus SARS-CoV-2. Normalmente aparecem após 3 semanas do início da infecção e pode se estender por 12 semanas ou mais.


Os sinais e sintomas mais comumente relatados na literatura são: cansaço crônico; dores no corpo; fraqueza; perda de memória; dificuldade de pensamento e concentração; dificuldades respiratórias; tosse crônica; dor torácica; dores de cabeça; diarreia; palpitações e/ou síncopes; perda de olfato e/ou paladar e queda cabelo. Também são relatadas doenças psiquiátricas como ansiedade e depressão.


Esses sinais e sintomas podem ser decorrentes das lesões diretas causadas pelo coronavírus, pelas consequências do processo inflamatório associado à doença, ou ainda devido às sequelas diretas e indiretas do longo período de hospitalização.


Sequelas musculoesqueléticas envolvendo fraqueza e cansaço são ocasionadas pela perda de massa e força muscular em resposta à infecção viral, imobilidade (por longo período de hospitalização ou inatividade) e nutrição insuficiente. O abalo psicológico e emocional normalmente surge em decorrência do processo de isolamento social, além do medo pelo potencial risco de morte, deteriorando a saúde mental dos indivíduos pela ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.


A queda de cabelo provavelmente tem relação com os picos de febre alta que os pacientes sofrem ou também com o estresse pós-doença. O coronavírus desencadeia um quadro de eflúvio telógeno, ou seja, ocorre uma queda grave e intensa dos fios de cabelo, devido à alteração do ciclo capilar onde os fios que estão crescendo passam para a fase da queda ligeiramente. Esta alteração é passageira e para auxiliar no crescimento saudável dos novos fios a nutrição adequada pode ser útil. O uso de medicações, se necessário, pode ser indicado por médico dermatologista.

 

COMO A ALIMENTAÇÃO PODE AUXILIAR NA RECUPERAÇÃO DE PESSOAS ACOMETIDAS PELO COVID LONGO


Apesar de ainda ser necessário mais estudos para compreensão e tratamento adequado, a alimentação equilibrada pode auxiliar a minimizar alguns dos sintomas, tais como perda muscular, cansaço, fraqueza, diarreia, perda de memória, dificuldade de concentração, queda de cabelo, assim como depressão e ansiedade.


Uma boa estratégia nutricional para recuperação muscular que pode minimizar a sensação de cansaço e fraqueza é a ingestão de alimentos ricos em proteínas. O ideal é consumir diariamente o grupo das carnes (bovina, suína, frango ou peixe: duas porções ao dia); laticínios (queijo, leite e iogurte: três porções ao dia) e ovos (que podem ser substitutos das carnes). Boas fontes de proteínas em alimentos de origem vegetal são encontradas nas leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico: duas porções ao dia equivalente a 2 conchas médias) e nas oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas: uma mistura destas totalizando 6 unidades seria ideal) devem também estar presentes na alimentação diária. Estes alimentos também são fontes de ferro, cálcio, zinco, vitamina B12, vitamina B6, biotina, magnésio, triptofano e ômega-3 (principalmente peixe e oleaginosas) que podem auxiliar no cansaço, recuperação capilar, memória, concentração, depressão e ansiedade.


O vírus SARS-CoV-2, assim como outras infecções, aumenta o processo inflamatório, então o consumo de alimentos com potencial anti-inflamatório e antioxidante pode ser benéfico. O consumo de alimentos ricos em vitamina C (frutas cítricas), vitamina A (frutas vermelhas, cenoura, abóbora, tomate, vegetais verde-escuros, mamão), vitamina E (oleaginosas, gema ovo, abacate), selênio (castanha-do-pará), ômega-3 e flavonoides (suco de uva, chá verde, molho tomate caseiro, azeite oliva) podem auxiliar a combater a inflamação metabólica.


Em casos de diarreia o consumo de alimentos ou suplementos ricos em probióticos e/ou fibras solúveis podem auxiliar na recuperação da microbiota intestinal.


É importante fazer uma avaliação detalhada dos sinais e sintomas e também conhecer a gravidade do quadro infeccioso que acometeu a pessoa. Doenças pré-existentes associadas a casos graves de Covid como Hipertensão, Diabetes e obesidade precisam ser tratadas adequadamente.


Avaliação da perda de peso, perda muscular, carência de vitaminas e minerais pode ser realizada por um médico e/ou nutricionista. Suplementação será indicada apenas se observada carência de micronutrientes ou dificuldades na alimentação que limitem a pessoa a ingerir quantidade suficiente de nutrientes através dos alimentos.


A reabilitação destes casos é fundamental e deve contemplar os aspectos físicos, funcionais e mentais e normalmente é realizada por equipe multidisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos e nutricionista.


 * Mariana Paganotto é nutricionista graduada pela UFPR, com mestrado em Medicina Interna e Ciências da Saúde pela UFPR. Atua há 15 anos como nutricionista clínica, professora, palestrante e pesquisadora. Educadora em Diabetes desde 2005. Principais áreas de atuação são em Obesidade, Cirurgia Bariátrica, Diabetes, Síndrome Metabólica, Gestantes de alto risco, doenças intestinais e compulsão alimentar. Também é colunista do Saúde Debate


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