Nas últimas semanas, o Ministério da Saúde (MS) confirmou o primeiro caso local de cólera no Brasil após 18 anos. A situação foi identificada na Bahia, e de acordo com o MS, o paciente contraiu a doença sem ter contato com outras pessoas diagnosticadas e sem ter se deslocado para países com casos confirmados. Este registro é considerado ‘isolado’, com os últimos casos diagnosticados no país ocorrendo entre 2004 e 2005.
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Andre Doi, médico patologista clínico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), ressalta a importância dos exames laboratoriais no diagnóstico preciso de doenças como a cólera. “Para identificar o Vibrio cholerae (cepa toxigênica subtipo O1), bactéria responsável pela doença, devem ser utilizados métodos laboratoriais específicos como cultura de fezes em meio específico para isolamento deste patógeno ou método molecular (PCR) para detecção de seu material genético. Esses métodos permitem uma confirmação rápida e precisa do diagnóstico, possibilitando o início imediato do tratamento adequado”, explicou o especialista.
A cólera é uma doença gastrointestinal aguda causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados com o Vibrio cholerae. Os principais sintomas incluem diarreia aquosa, vômitos e desidratação intensa, podendo levar a complicações graves e até mesmo à morte se não tratada rapidamente. Sua transmissão ocorre principalmente através da ingestão de água ou alimentos contaminados, especialmente em áreas com saneamento básico precário. “Os fatores de risco incluem a falta de acesso à água potável, condições sanitárias inadequadas e higiene precária. Esse caso é ‘isolado’, mas é preciso que as autoridades intensifiquem as medidas preventivas essenciais para reduzir os riscos de transmissão”, ressaltou o especialista da SBPC/ML.
Importante que os profissionais de saúde estejam atentos aos sintomas da cólera e realizem o diagnóstico precoce para evitar a propagação da doença. De acordo com André Doi, patologista clínico da SBPC/ML, o tratamento consiste principalmente na reposição de líquidos e eletrólitos perdidos através da administração de soluções de reidratação oral ou, em casos mais graves, através de soro intravenoso. “A antibioticoterapia também pode ser necessária em alguns casos para reduzir a gravidade dos sintomas e prevenir complicações”, explicou.
*Informações Assessoria de Imprensa