SBCO leva campanha “Não dá para esperar” para cidades brasileiras

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2022-11-21 | 20:00h
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2026-04-23 | 16:54h
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(Foto: Divulgação)

Nos dois últimos anos, os números relacionados ao tratamento oncológico foram impactados pela pandemia de Covid-19. Com quedas expressivas nos procedimentos diagnósticos e nas cirurgias, os casos graves de câncer tendem a aumentar – fato que, infelizmente, também afetará as taxas de mortalidade em nosso país. E, como o câncer é uma doença complexa, muitas vezes agressiva e de rápida progressão, é fundamental chamar a atenção das pessoas para a necessidade de retomar, com uma certa urgência, os cuidados de saúde, incluindo exames de rastreamento e principalmente, a atenção a sinais e sintomas que podem indicar a presença da doença.

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Diante deste cenário, com a proposta de conscientizar a população sobre a importância do cuidado com a saúde, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) promove a campanha “Não dá para esperar. Cuide-se. O câncer não ficou de quarentena” em diferentes cidades do país no domingo (27), Dia Nacional de Combate ao Câncer e da tradicional Ação Nacional de Combate ao Câncer (ANCC), realizada anualmente pela SBCO e que, em 2022, volta a ser presencial, além do amplo conteúdo qualificado que é disseminado pelas mídias sociais.

A ANCC 2022 chega presencialmente em locais como o Complexo Turístico de Ponta Negra, em Manaus (AM); Lago Igapó, em Londrina (PR), Porto do Futuro, em Belém (PA), Parque Carlos Raya, em Ribeirão Preto (SP), Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande (MS) e em frente ao Lopana, na avenida Beira-Mar em Maceió (AL). Nas manhãs do dia 27, os locais contarão com a presença de médicos membros da SBCO e acadêmicos das ligas de oncologia local. Haverá espaços customizados da campanha, com orientações sobre exames de rastreamento de câncer como mamografia, colonoscopia, papanicolau, toque prostático e dosagem de PSA e distribuição de materiais educativos sobre prevenção e diagnóstico precoce dos tipos mais incidentes de câncer.

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“A ação estará presente em pontos estratégicos, buscando sensibilizar a população de nosso país para a importância de cuidar da saúde. Por conta do atraso de diagnósticos, falta de exames de rotina e consultas médicas durante a pandemia do Covid-19, os pacientes estão chegando especialistas com doenças mais avançadas. É necessário um esforço coletivo de sociedades científicas como a SBCO, imprensa, redes sociais, empresas e agências para promovermos informações de saúde para nossa população”, ressalta o cirurgião oncológico Héber Salvador, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

O impacto da pandemia de Covid-19 em números

Levantamento divulgado SBCO quantificou o impacto da pandemia de Covid-19 nas cirurgias de câncer em geral e nos exames de rastreamento populacional de câncer de mama, próstata, colorretal e colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir da base de dados TABNET/DataSUS, do Ministério da Saúde, a SBCO identificou que, comparado com 2019, foram realizadas 19.111 cirurgias oncológicas a menos em 2020, 15.450 a menos em 2021 e 19.254 a mens em 2022. Os dados de 2022 consideram os números disponíveis até junho, desconsiderando julho e agosto por conta de dados que podem ainda não ter subido nas bases do DataSUS.

Somando o represamento dos anos de 2020 e 2021 e o primeiro semestre de 2022 – tendo como base o ano de 2019 (o último antes da pandemia) – são 53.815 cirurgias oncológicas que deixaram de ser realizadas durante a pandemia no Sistema Único de Saúde. “O maior complicador é que não houve redução do número de casos de câncer. O que ocorreu foi o represamento destas cirurgias. E muitas, que foram realizadas, chegaram para em fase mais avançada”, alerta o cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Héber Salvador.

Até 2040, a demanda por cirurgias relacionadas ao câncer, segundo estudo publicado na revista The Lancet, deve aumentar 52%, chegando a 13,8 milhões de procedimentos nos próximos 20 anos. Para dar conta desse cenário, estima-se que quase 200 mil cirurgiões e 87 mil anestesistas adicionais sejam necessários para cumprir o desafio. Além disso, também será preciso melhorar sistemas de saúde para evitar mortes decorrentes de complicações pós-operatórias.

Queda dos exames de rastreamento de câncer

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), anunciada antes da pandemia, era que seriam registrados 626 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no triênio 2020/2022. Os dados levantados no DataSUS apontam que, exclusivamente no sistema público, foram 351 mil novos casos diagnosticados em 2020 e 368 mil novos casos em 2021. Antes da pandemia, em 2019, foram 386.485 novos casos.

A SBCO, a partir do TABNET/DataSUS, levantou como a Covid-19 refletiu no rastreamento de câncer. O programa de screening, denominado no Brasil como rastreamento, é o conjunto de métodos aplicados para o diagnóstico precoce do câncer ou descoberta de lesões pré-cancerosas em determinada população que não apresenta sinais ou sintomas de câncer. Como base nisso, a entidade levantou os dados de biópsias de mama e próstata, assim como de colonoscopia e Papanicolau.

Foram realizadas 43.045 biópsias de mama em 2019, caindo para 34.889 em 2020 e uma retomada em 2021 para 41.005, refletindo em 10.186 biópsias a menos nos dois primeiros anos da pandemia. No mesmo período, houve o represamento de 14.123 biópsias de próstata. Essenciais para retirar lesões pré-malignas no intestino grosso, foram 148.111 colonoscopias represadas no período. Já o exame de Papanicolau, por conta de seu volume de procedimento, registrou a mais alarmante: mais de 2,2 milhões de exames a menos em 2020 e 2021. Mais informações: www.sbco.org.br. 

*Informações Assessoria de Imprensa

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