Ronco também é coisa de mulher? Especialista alerta para problema que pode esconder distúrbios do sono

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(Foto: Magnific)

Quando se fala em ronco, a imagem que costuma vir à cabeça é a de um homem entre 40 e 60 anos. Mas esse é um estereótipo que não corresponde à realidade. Embora de fato seja mais frequente entre os homens nessa faixa etária, o problema também acomete muitas mulheres e tende a se tornar mais comum com o avanço da idade, especialmente após a menopausa.

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Além do desconforto para quem divide o quarto, o ronco persistente pode indicar alterações importantes na qualidade do sono e até doenças que merecem investigação médica.
“O ronco feminino muitas vezes acaba sendo subestimado. Algumas mulheres acreditam que isso faz parte do envelhecimento ou sentem vergonha de comentar o assunto, mas ele pode ser um importante sinal de alerta para distúrbios respiratórios do sono, como a apneia obstrutiva do sono”, explica o otorrinolaringologista Lucas Vaz Padial, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista.

Menopausa aumenta o risco

Segundo o especialista, fatores hormonais exercem um papel importante no aparecimento do ronco nas mulheres. Durante a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio e progesterona diminui a proteção natural que esses hormônios exercem sobre a musculatura das vias aéreas superiores e sobre o drive ventilatório pulmonar delas. Como consequência, aumenta a tendência ao estreitamento da garganta durante o sono, favorecendo tanto o ronco quanto episódios de apneia.

Além das alterações hormonais, outros fatores também contribuem para o problema, como ganho de peso, envelhecimento, obstrução nasal provocada por rinite ou desvio de septo e características anatômicas individuais.

Nem todo ronco é igual
Embora episódios ocasionais possam acontecer após uma noite mal dormida, consumo de bebidas alcoólicas ou durante um quadro gripal, o ronco frequente merece atenção.

“Quando o ronco é constante, vem acompanhado de pausas respiratórias, sono agitado ou despertares frequentes, ele pode indicar apneia obstrutiva do sono, condição que reduz a oxigenação durante a noite e compromete a qualidade do descanso”, afirma o médico. “As mulheres em especial costumam ter um outro sintoma associado: dor de cabeça ao acordar, que melhora ao longo do dia.

Nesses casos, o problema deixa de ser apenas um incômodo e passa a representar um fator de risco para hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes, dificuldade de concentração e sonolência excessiva ao longo do dia.

Vergonha atrasa o diagnóstico

De acordo com o especialista, muitas mulheres demoram mais para procurar ajuda porque costumam associar o ronco a um comportamento masculino ou acreditam que o sintoma não merece investigação.

Além disso, em vez de relatarem o ronco propriamente dito, frequentemente procuram atendimento por causa das consequências, como cansaço constante, dores de cabeça ao acordar, dificuldade de memória, irritabilidade e baixa disposição.

“É importante observar também se o parceiro percebe pausas na respiração durante o sono ou se há despertares com sensação de sufocamento. Esses sinais justificam uma avaliação especializada”, orienta.

Há tratamento — e ele começa pelo diagnóstico
A boa notícia é que, na maioria dos casos, o ronco pode ser controlado com tratamento adequado. Entre as medidas mais importantes estão: manter o peso saudável, praticar atividade física, evitar bebidas alcoólicas próximo ao horário de dormir, tratar obstruções nasais e adotar bons hábitos de sono.

Quando necessário, o tratamento pode incluir aparelhos para dormir, terapias específicas ou procedimentos cirúrgicos, dependendo da causa identificada. “O mais importante é entender que roncar não deve ser encarado como algo normal. Identificar a origem do problema permite melhorar a qualidade do sono, preservar a saúde e recuperar a qualidade de vida”, conclui Lucas Padial.

*Informações Assessoria de Imprensa

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