Radiologia intervencionista ajuda pacientes com câncer de cabeça e pescoço

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2026-07-24 | 15:00h
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2026-07-27 | 13:41h
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(Foto: DC Studio)

Durante o Julho Verde, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, a atenção costuma se voltar para o diagnóstico precoce. Mas especialistas chamam a atenção para um desafio que recebe menos visibilidade e pode comprometer diretamente o prognóstico dos pacientes: as complicações que surgem durante o tratamento. Hemorragias, infecções e alterações vasculares podem interromper a quimioterapia, a radioterapia ou até inviabilizar uma cirurgia, exigindo intervenção rápida para que o tratamento oncológico seja mantido.

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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço está entre os tumores mais frequentes no país, com milhares de novos casos diagnosticados todos os anos. Além da doença em si, as complicações relacionadas ao tratamento representam um dos principais desafios enfrentados pelas equipes multidisciplinares, já que qualquer interrupção na terapia pode comprometer os resultados clínicos.

Nos últimos anos, procedimentos minimamente invasivos guiados por exames de imagem passaram a ganhar espaço justamente por permitir o controle dessas complicações com menor impacto para o paciente. A radiologia intervencionista atua desde a realização de biópsias até o tratamento de hemorragias, drenagem de infecções, implante de acessos venosos para quimioterapia e procedimentos terapêuticos indicados para casos específicos.

“A radiologia intervencionista integra o tratamento do câncer e pode atuar em praticamente todas as etapas da jornada do paciente. Além das biópsias guiadas por imagem, conseguimos controlar hemorragias, tratar complicações vasculares, drenar infecções e oferecer alternativas minimamente invasivas que permitem ao paciente manter o tratamento com mais segurança”, explica o radiologista intervencionista Guilherme Martins, diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice).

Entre as complicações mais graves estão os sangramentos provocados pela invasão de vasos sanguíneos pelo tumor, pelos efeitos da radioterapia, por complicações cirúrgicas ou pela necrose tumoral. Quando não controlados rapidamente, esses quadros podem causar choque hemorrágico, obstrução das vias aéreas, necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e, em casos extremos, levar à morte.

Nessas situações, a embolização tornou-se uma das principais estratégias terapêuticas. O procedimento é realizado por meio de um pequeno acesso vascular, geralmente pela artéria femoral ou radial. Guiado por imagens em tempo real, o radiologista intervencionista conduz microcateteres até o vaso responsável pelo sangramento e realiza sua oclusão com materiais específicos, interrompendo a hemorragia de forma precisa e preservando, sempre que possível, a circulação dos tecidos vizinhos.

Por dispensar grandes incisões e, na maioria dos casos, ser realizada apenas com sedação e anestesia local, a embolização reduz o tempo de recuperação e o risco de complicações em comparação com abordagens cirúrgicas convencionais. Estudos publicados na literatura médica apontam taxas de sucesso técnico superiores a 90% no controle de hemorragias arteriais da região da cabeça e pescoço, consolidando o procedimento como uma das principais opções para essas situações.

A radiologia intervencionista também desempenha papel importante no diagnóstico. Com auxílio da ultrassonografia ou da tomografia computadorizada, biópsias guiadas por imagem permitem acessar lesões profundas ou de difícil localização com maior precisão, reduzindo riscos e evitando procedimentos cirúrgicos apenas para confirmação diagnóstica.

Além disso, a especialidade realiza drenagem de abscessos cervicais, implantação de cateteres venosos de longa permanência para quimioterapia e embolizações pré-operatórias de tumores muito vascularizados. Em pacientes cuidadosamente selecionados com doença oligometastática, técnicas ablativas, como radiofrequência, micro-ondas e crioablação, também permitem tratar focos metastáticos sem cirurgia aberta, ampliando as possibilidades terapêuticas.

Apesar desses avanços, a radiologia intervencionista ainda é pouco conhecida pela população. “Muitas pessoas associam o radiologista apenas aos exames de imagem, mas essa é uma especialidade que também trata doenças por meio de procedimentos minimamente invasivos. No câncer de cabeça e pescoço, isso significa controlar complicações graves, evitar procedimentos mais agressivos e contribuir para que o paciente mantenha seu tratamento, com impacto direto na qualidade de vida e no prognóstico”, conclui Guilherme Martins.

*Informações Assessoria de Imprensa

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