O início de 2026 traz um sinal de atenção para a saúde infantil no país. Levantamento preliminar do Programa Nacional de Imunizações (PNI) indica que, ao longo de 2025, apenas duas vacinas aplicadas em bebês — BCG e hepatite B — alcançaram a meta de 95% de cobertura recomendada para crianças de até um ano. Os números, ainda sujeitos a atualização pelos municípios, já revelam uma tendência de redução em relação ao ano anterior e reforçam a necessidade de ampliar as estratégias de recuperação vacinal, segundo dados do Sistema de Informação do PNI.
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A vacina BCG, que protege contra as formas graves da tuberculose, atingiu 96,8% de cobertura em 2025, abaixo dos 98,63% registrados em 2024. Já a vacina contra hepatite B, aplicada no primeiro mês de vida, chegou a 95,11%, também inferior ao índice do ano anterior, de 97%.
Para Rosana Richtmann, infectologista do Delboni Salomão Zoppi e Lavoisier, marcas da Dasa (líder em medicina diagnóstica no Brasil) em SP iniciar o ano com esse cenário exige atenção imediata de famílias e gestores de saúde. “Os primeiros meses de vida são determinantes para a proteção contra doenças graves”, afirma.
Segundo a especialista, o começo do ano é um momento estratégico para corrigir atrasos vacinais. “Janeiro e fevereiro são períodos-chave para reforçar campanhas, orientar pais e responsáveis e facilitar o acesso aos serviços de imunização. Não é apenas uma questão de cumprir metas, mas de proteger uma geração inteira logo no começo da vida”, completa.
Na avaliação de Guenael Freire, infectologista do São Marcos, marca da Dasa em Minas Gerais, a queda na cobertura vacinal reflete um conjunto de fatores que vão além da oferta das vacinas. “Hoje enfrentamos desafios como desinformação, receios infundados sobre segurança e, em alguns casos, dificuldades logísticas que afastam as famílias dos serviços de saúde. Quando esses fatores se somam, o impacto aparece justamente onde não deveria: na proteção dos bebês”, destaca.
O especialista reforça que a baixa adesão tem consequências diretas no médio prazo.
“Menos crianças vacinadas significa maior circulação de agentes infecciosos e aumento do risco de surtos. O começo do ano é o momento ideal para retomar esse diálogo com a população, esclarecer dúvidas e reforçar que vacinar é um ato de cuidado coletivo”, afirma.
Com o avanço de 2026, profissionais de saúde defendem que o tema da imunização infantil volte ao centro das agendas públicas e da comunicação em saúde. A recuperação das coberturas vacinais, especialmente nos primeiros meses de vida, é apontada como uma das prioridades para evitar retrocessos em conquistas históricas da saúde brasileira.
Vacinas da infância que protegem para a vida toda
A imunização nos primeiros anos de vida é um dos pilares mais sólidos da saúde pública moderna. Muito além de evitar infecções imediatas, as vacinas pediátricas reduzem o risco de complicações crônicas, sequelas permanentes e até doenças que só se manifestam décadas depois²³. Em um momento em que o Brasil busca recuperar as coberturas vacinais infantis, especialistas reforçam que proteger na infância é investir diretamente na saúde da vida adulta.
Rosana Richtmann reforça que a queda na cobertura vacinal infantil pode ter reflexos por décadas. “O impacto da não vacinação não termina na infância. Ele reaparece anos depois, com adultos mais vulneráveis a doenças que poderiam ter sido evitadas lá atrás.”
Em um cenário de recuperação das coberturas vacinais no Brasil, especialistas defendem que ampliar o acesso à informação qualificada e facilitar a adesão às vacinas pediátricas são passos decisivos para garantir não apenas uma infância mais protegida, mas uma sociedade mais saudável no futuro.
*Informações Assessoria de Imprensa