A anafilaxia é uma reação alérgica multissistêmica grave, de início agudo e potencialmente fatal, vem apresentando um aumento considerável em sua incidência nos últimos anos. Entretanto, ainda há uma escassez de dados no Brasil. Para minimizar essa lacuna, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), uma iniciativa pioneira para coletar e analisar dados nacionais sobre essa condição médica.
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O Registro Brasileiro de Anafilaxia foi desenvolvido com o intuito de ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença entre os brasileiros para que políticas públicas possam ser implementadas no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave e que pode levar à morte.
Estudo
Apresentado durante o 51º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia, que aconteceu em Salvador, de 14 a 17 de novembro, o registro incluiu 318 pacientes, dos quais 163 eram mulheres. A média de idade foi de 27 anos, abrangendo faixas etárias de 2 a 81 anos. Pacientes de 20 dos 27 estados brasileiros participaram, com maior incidência nos estados do Sul e Sudeste: São Paulo (22%), Minas Gerais (17,6%), Paraná (14,5%) e Rio de Janeiro (13,5%).
“Os alimentos foram responsáveis por 42,1% das reações, com leite de vaca (12,9%), mariscos (6,9%), ovo (5,6%), trigo (3,1%) e amendoim (3,1%) sendo os mais comuns”, conta Dra. Mara Morelo, coordenadora do estudo ao lado de Dirceu Solé.
Já 32,4% dos casos estavam relacionados a medicamentos, incluindo agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%). Anafilaxia por insetos representou 23,9% das anafilaxias, destacando-se a formiga com 8,4% dos casos. Anafilaxia ao látex foi identificado em 11 casos.
O Registro Brasileiro de Anafilaxia mostrou que 55,5% das crianças do sexo masculino são maioria com casos de anafilaxia. Já em adultos, 59,2% dos casos foram em mulheres.
A carência da adrenalina autoinjetável no tratamento imediato
O Registro Brasileiro de Anafilaxia mostrou que apenas 8,2% dos pacientes possuíam o kit de emergência, ou seja, 43 pacientes tinham a caneta de adrenalina autoinjetável. Atualmente, a apresentação da adrenalina autoinjetora só pode ser adquirida por importação, a um custo alto. O Brasil ainda não tem esse dispositivo, que está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Já 96,2% dos pacientes com anafilaxia receberam algum tipo de tratamento, com uso de adrenalina em 50,3% dos casos, porém, com a administração do medicamento feita por profissionais em 42,1% dos casos, ou seja, em âmbito hospitalar.
Quinze pacientes necessitaram de intubação (11 adultos, 2 idosos, 2 crianças) e 10 foram reanimados (6 adultos, 3 idosos, 1 criança).
“A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento”, explica Mara Morelo.
*Informações Assessoria de Imprensa