Pegar sereno, dormir com cabelo molhado? Saiba o que é mito ou verdade sobre o que realmente nos faz adoecer no inverno

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2026-06-11 | 17:03h
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(Foto: Freepik)

Faltam poucos dias para o inverno começar oficialmente, mas o Brasil já enfrenta os reflexos das primeiras ondas de frio. Com a queda brusca nas temperaturas, é comum um aumento significativo de doenças respiratórias nos leitos de hospitais e consultórios. O ar mais seco e a tendência de permanecermos em locais fechados facilitam a circulação de vírus, como confirmam os dados recentes do Boletim InfoGripe da Fiocruz: o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mantém tendência de crescimento no país. Atualmente, o rinovírus lidera de forma isolada a positividade dos quadros, seguido pelo vírus da influenza A.

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No entanto, junto com o frio, ganham força diversas crenças populares, aquelas que ouvimos desde crianças dos nossos pais e avós, sobre o que realmente causa essas doenças.
Para ajudar a separar a ciência dos mitos, a infectologista Luísa Chebabo, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, esclarece o que é fato e o que é apenas lenda urbana de inverno.
1. Andar descalço ou pisar em chão frio causa gripe?
Mito. Quem nunca ouviu um “bota o chinelo para não ficar gripado”? Luísa Chebabo esclarece que o contato dos pés com o chão gelado não tem o poder de colocar um vírus para dentro do organismo.

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“Gripes e resfriados são causados por vírus respiratórios, que entram pelas vias aéreas ou pelos olhos, geralmente através das mãos contaminadas ou gotículas no ar. O chão frio pode, no máximo, causar uma sensação de desconforto ou uma resposta reflexa do corpo, como um espirro isolado, mas não causa infecção.”
2. Sair no sereno, vento gelado ou pegar chuva adoece?

Mito. Outro clássico das gerações passadas. O vento da noite (“sereno”) ou a água da chuva não transmitem vírus. Porém, a médica faz um alerta: o frio extremo e prolongado no corpo pode, indiretamente, dar uma “ajudinha” aos patógenos.
“Nas temperaturas mais baixas, ocorre a vasoconstrição, ou seja, os vasos sanguíneos das vias aéreas se contraem. Isso diminui o fluxo de sangue e a chegada de células de defesa na região do nariz e da garganta, deixando o organismo temporariamente mais vulnerável se você já tiver tido contato com o vírus”, explica Luísa.
3. Ficar com o cabelo molhado no frio causa pneumonia?

Mito. Dormir ou sair de casa com o cabelo molhado no inverno pode dar uma intensa sensação de frio, mas não causa pneumonia. A pneumonia é uma infecção pulmonar séria causada por bactérias, vírus ou fungos. O cabelo úmido não cria esses microrganismos.
4. Tomar canja de galinha ajuda a melhorar?

Verdade! Nossas avós estavam cobertas de razão. Não é apenas efeito psicológico ou superstição.

“A canja melhora a hidratação e o vapor quente do caldo ajuda diretamente na fluidez do muco nasal, aliviando a congestão e facilitando a respiração. Além disso, a combinação de proteínas do frango e os nutrientes dos vegetais oferece o aporte de energia ideal para o corpo combater o vírus. É um remédio caseiro validado pela ciência”, afirma a infectologista.
5. Vitamina C previne a contaminação por gripe?

Mito. Tomar doses extras de vitamina C em pastilhas efervescentes no inverno não vai impedir que você pegue um resfriado ou gripe se for exposto ao vírus. A vitamina C é fundamental para o sistema imunológico, mas seu uso isolado e imediato não funciona como um escudo protetor. O ideal é manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes de forma constante, ao longo de todo o ano.
6. Só a vacina da gripe protege contra quadros respiratórios no inverno?

Mito. Embora a vacina da gripe (influenza) seja indispensável e precise ser tomada anualmente de forma antecipada (já que o corpo leva cerca de 15 dias para gerar anticorpos), a estratégia de imunização hoje é muito mais ampla.
Luísa Chebabo destaca que a ciência evoluiu para proteger a população de outros grandes vilões do inverno:

  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Responsável por surtos graves de bronquiolite. Hoje existem os imunizantes Abrysvo (para gestantes protegerem os bebês e para idosos) e o Beyfortus, um anticorpo de ação imediata para recém-nascidos.
  • Vacina Efluelda de Alta Dosagem: Exclusiva para maiores de 60 anos, com quatro vezes mais antígenos para garantir proteção reforçada contra a gripe.
  • Pneumocócica (como a 20-valente): Protege contra os principais sorotipos da bactéria causadora da pneumonia bacteriana, que costuma surgir como complicação de uma gripe mal curada.
  • Vacinas contra a Covid-19: Essenciais para evitar casos graves de SRAG pelo vírus Sars-CoV-2.

*Informações Assessoria de Imprensa

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