O Paraná é o 3º estado com mais afastamentos do trabalho por câncer de intestino do Brasil. A constatação vem de um cruzamento de dados realizado pela Sociedade Paranaense de Coloproctologia, que buscou dados e analisou informações do INSS, IBGE e Ministério da Saúde. Apesar da posição no ranking, especialistas entendem que o dado não é “de um todo ruim”, pois pode ser reflexo do aumento de diagnósticos.
Os dados colocam o Paraná numa das situações mais vigilantes do Brasil: em 2025, o estado atingiu a marca de 16,64 afastamentos para cada 100 mil habitantes, superando grandes centros como São Paulo (15,55) e Rio de Janeiro (12,72). E isso representa um aumento de 64,1% em relação a 2023, quando o Paraná tinha 10,14 afastamentos para cada grupo de 100 mil habitantes.
Em 2025, o índice paranaense foi superado apenas por Santa Catarina (19,73) e Rio Grande do Sul (18,77), colocando a Região Sul como o “cinturão de alerta” da doença no país. No entanto, para os especialistas da Sociedade Paranaense de Coloproctologia, esses números não indicam uma população mais doente, mas sim uma rede de saúde mais eficiente em identificar e encaminhar o trabalhador para o tratamento.
“Efeito colateral” (positivo) do rastreamento
A análise mostra um fenômeno interessante: enquanto o rastreamento cresceu cerca de 150% e os diagnósticos saltaram 127% no Paraná, a taxa de afastamentos pelo INSS cresceu menos: 64% no mesmo período.
Para o Dr. Paulo Kotze, médico coloproctologista e presidente da Sociedade Paranaense de Coloproctologia, essa diferença é a prova do sucesso do diagnóstico precoce. “O fato de a taxa de afastamentos crescer em um ritmo menor que o número de diagnósticos sugere que estamos descobrindo a doença em fases menos agressivas. Isso permite tratamentos mais curtos, evitando que o trabalhador precise se ausentar por longos períodos ou caminhe para uma invalidez definitiva”, explica Kotze.
Impacto na força de trabalho e custos previdenciários
Apesar da eficiência na detecção, o câncer de intestino ainda impõe um peso alto à produtividade paranaense. A maioria dos afastamentos ocorre em plena idade produtiva (40 a 59 anos). Em 2025, o custo direto da Previdência com benefícios associados à doença no Brasil ultrapassou R$ 53,9 milhões, um aumento de 84,88% em relação a 2023, quando o INSS pagou R$ 29,2 milhões em afastamentos.
“O Paraná ocupa a 3ª posição nacional em taxa de afastamentos porque o sistema paranaense é atento e não deixa os casos passarem despercebidos. Mas o nosso objetivo final, com o rastreamento a partir dos 45 anos, é reduzir o tempo que esse paciente fica fora do mercado de trabalho e reduzir os impactos a sua vida pessoal e emocional. Diagnóstico precoce é, também, uma estratégia de sustentabilidade econômica”, pontua Maria Cristina Sartor, vice-presidente da Sociedade Paranaense de Coloproctologia e coordenadora nacional da Campanha Março Azul.
Mas Kotze ressalta que, apesar do Paraná se manter entre os top 10 estados que mais fazem rastreamento da doença, médicos e autoridades de saúde não devem “relaxar”. É preciso sempre aumentar a quantidade de exames de sangue oculto e colonoscopia. O primeiro é um exame laboratorial simples, acessível e importante para rastreamento. A colonoscopia é uma complementação do diagnóstico e que, ao mesmo tempo, já pode retirar pólipos suspeitos de câncer, tratando a doença no estágio inicial.
Raio-X do rastreamento x INSS no Paraná*
*Todos esses dados foram contabilizados com base nas taxas para cada 100 mil habitantes, ao invés da análise pelos valores absolutos/brutos.
*Informações Assessoria de Imprensa