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Pandemia e saúde mental: como retomar o equilíbrio?

Os efeitos da Covid-19 ainda são desafios, mas o retorno das atividades impõem tantos outros

por Saúde Debate

11/10/2021
Sobre: Pandemia e saúde mental: olhares atentos sobre seus efeitos
Créditos: Freepik

Pandemia e saúde mental tiveram e continuam tendo uma relação “íntima”. Quem não se afetou de alguma forma pela crise desencadeada pela Covid-19? Este foi um grave problema que atingiu todos ao mesmo tempo, mas de maneiras diferentes. Ansiedade, medo, luto, insônia, depressão, tristeza, irritabilidade, revolta… Estas são apenas algumas das reações e dos sentimentos que podem explicar como pandemia e saúde mental estão tão interligadas. 


Diferentes levantamentos mostraram que este não foi um fenômeno isolado, seja a uma classe social, a uma região ou a uma cultura. "Todo esse cenário nos fragilizou. Pessoas sem histórico de transtornos sendo acometidas por ataques de pânico e ansiedade. Quem já tinha algum tipo de doença psiquiátrica precisou de um suporte maior. Difícil ficar indiferente a tudo que ainda estamos passando", afirma a psicóloga Flávia Teixeira, Mestre em Saúde Coletiva pela UFRJ e pós-graduada em Psicossomática Contemporânea. 


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A solução para alguns foi procurar ajuda: tanto que psicólogos e psiquiatras viram suas demandas aumentarem em função dos efeitos da relação entre pandemia e saúde mental. Outro exemplo disto está na procura pelos atendimentos nos serviços de telessaúde. A heathtech Starbem detectou um aumento de 57% na procura por psicólogos em sua plataforma no mês de agosto de 2021, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação à faixa etária, aqueles entre 22 e 28 anos estão entre os pacientes que mais buscaram esse tipo de atendimento, com destaque para os transtornos de ansiedade e depressão.


No último ano, houve um aumento considerável, impulsionado pela pandemia, na procura por atendimento psicológico, principalmente na versão online. Segundo o Google Trends, apenas na primeira quinzena de quarentena no Brasil, a alta foi de 88% nas buscas por terapias online. “Os casos de transtornos mentais dispararam e a tendência é que a demanda por atendimentos online continue crescendo mesmo após o fim das restrições, já que cerca de 90% dos pacientes têm retornado às consultas”, coloca Ticiana Vasconcelos, head de psicologia da Starbem e doutora na área.


Para tantas outras pessoas, o estresse associado a outros fatores, como problemas econômicos, as saídas foram o abuso do álcool e de drogas. "O isolamento em casa foi um dos agravantes durante a pandemia, principalmente para quem vive sozinho, já que a solidão é um fator de risco para a depressão, e aumenta as taxas de suicídio e abuso de álcool", reforça Adiel Rios, Mestre em Psiquiatria pela UNIFESP e pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. 


Se pandemia e saúde mental estão relacionadas, como retomar o equilíbrio em um momento em que as atividades estão retornando e os números da Covid-19 melhorando?

   

Confira dicas de especialistas:

 

Entenda o que você pode e o que não pode controlar 

 

Durante a pandemia, as pessoas sentiram que perderam o controle sobre suas vidas. "Neste momento de incertezas, tente basear suas escolhas em fontes confiáveis de informações e diretrizes, como instituições acadêmicas ou governamentais. Há decisões que não precisam ser tomadas com sofrimento, como voltar a trabalhar na empresa ou continuar em home office", diz a psicóloga Flávia Teixeira.  

 

"No entanto, às vezes é necessário simplesmente reconhecer que há situações na vida que não podemos controlar. Se você está com dificuldade em aceitar esta realidade, há formas de lidar com suas preocupações. Escreva em um caderno o que vem à mente, como se fosse um diário. Isso torna seu pensamento mais lento, focado e eficiente, trazendo novas perspectivas e maior clareza para assimilar determinadas questões", reflete Stella Azulay, Educadora Parental pela Positive Discipline Association, especialista em Análise de Perfil e Neurociência Comportamental. 

 

Continue se reinventando  

 

Provavelmente, nunca fomos tão criativos como na quarentena! Haja imaginação para lidar com trabalho, filhos, estudos e afazeres domésticos! Se você passou no teste, por que não continuar a se reinventar?  

 

Criou uma brincadeira diferente com seu filho? Mantenha-a quando estiver com ele. Teve ideia de fazer pequenos trabalhos de restauração ou pintura de móveis? Adote o hobby! Aprendeu a meditar para relaxar? Se funcionou para você, não pare mais!  

 

"Poucas pessoas têm consciência que, para uma boa saúde mental, é preciso buscar atividades que proporcionem prazer e bem-estar. Portanto, se você descobriu algo interessante na quarentena que até te fez esquecer da pandemia por alguns instantes, não pare de praticar. Seja individual ou com alguém, realizar novas atividades mantém sua mente ativa e saudável. E isso é tudo o que você precisa neste momento", pontua Danielle Admoni. 

 

Evite a automedicação e mantenha a terapia 

 

"Tomar antidepressivos ou ansiolíticos sem acompanhamento e, pior, mudar a dose ou interromper o uso sem orientação, é uma atitude irresponsável e perigosa. Se você está em um nível de ansiedade tão grande a ponto de recorrer a estes medicamentos, o melhor a fazer é buscar ajuda com um especialista, que irá te avaliar e indicar o tratamento ideal para sua condição", afirma o psiquiatra Adiel Rios. 

 

Segundo ele, é preciso ficar atento a sintomas como tristeza profunda e contínua, apatia, desânimo, perda do interesse pelas atividades que gostava de fazer, pensamento negativo (ideias de fracasso, incapacidade, culpa, pensamentos de morte), alterações do sono e do apetite. "O tratamento pode envolver o uso de psicofármacos, associados à psicoterapia". 

 

Não faça do álcool a sua válvula de escape 

 

Na quarentena, muitas pessoas se voltaram para seus métodos habituais de lidar com o estresse e a solidão, como o consumo de álcool e drogas. No ápice do isolamento social, com menos interação com colegas e familiares, foi muito fácil perder o controle. "Se continuar com este hábito, terá uma conta alta em breve, aumentando ansiedade, ataques de pânico e outros sintomas psiquiátricos. Pior: o impacto cerebral deste uso abusivo pode perdurar por muito tempo, mesmo quando acabar a pandemia", alerta a psiquiatra Danielle Admoni. 

 

Respeite a sua retomada 

 

Os restaurantes já estão abertos, assim como os shoppings e o comércio de rua. No entanto, muitas pessoas ainda estão receosas de voltar ao normal, mesmo com os devidos cuidados. "Se você é uma delas, seja qual for o seu medo, não se sinta pressionado a nada. Cada um tem seu próprio ritmo. Só não permita que este medo te domine e te impeça de retomar sua vida. Se chegar a este ponto, será preciso buscar ajuda de um médico especialista", aconselha a Dra. Cristiane Romano, Mestre e Doutora em Ciências e Expressividade pela USP.  

 

Enquanto isso, volte à rotina em casa. Não troque o dia pela noite. A privação do sono também é um forte gatilho para transtornos de ansiedade. "Quando você não dorme o suficiente para ser produtivo ou trabalha até tarde da noite, prejudica a rotina do sono, desregulando seu relógio biológico. Isso resulta em uma extrema exaustão, pois o organismo, que já está habituado com um determinado padrão de sono, sofre um forte impacto, precisando de tempo e resistência para se adequar às mudanças. Sendo assim, quanto mais você praticar a rotina em casa, mais fácil será para retomar suas atividades de forma leve, natural, espontânea e sem traumas", finaliza Adiel Rios. 


* Com informações das assessorias de imprensa


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