O mês de outubro marca o início da temporada de maior incidência de casos de dengue no Brasil, sazonalidade que se estende até maio, alcançando o pico durante os meses de verão (dezembro a março). E, no combate contra a doença, a vacinação é uma ferramenta crucial. Segundo dados do Ministério da Saúde, no ano passado ocorreram mais de 6,5 milhões de casos de dengue, com 6.321 óbitos.
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“Estamos entrando num período crítico do ano para a proliferação do vírus da dengue, com impacto importante nas pessoas e no sistema de saúde. A disponibilidade de uma vacina que não necessita de uma sorologia positiva é uma ótima alternativa para aliviar a carga da doença. Por isso, a imunização é tão importante”, afirma Rosana Richtmann, consultora de vacinas da Dasa e infectologista do Delboni Salomão Zoppi.
O único imunizante aprovado no Brasil para utilização independentemente da exposição anterior à doença e sem necessidade de teste pré-vacinação é a QDENGA. Ela tem uma diferença importante em relação à Dengvaxia, aprovada anteriormente pela Anvisa, que é recomendada apenas a quem já foi infectado pelo vírus.
“O imunizante protege contra os quatro sorotipos do vírus, conferindo uma proteção completa. A vacina é administrada em duas doses, com intervalo de 3 meses entre as aplicações, e pode ser aplicada em pessoas entre 4 e 60 anos de idade. O imunizante foi desenvolvido com vírus vivo atenuado, portanto, não é recomendado para pessoas com alguma condição de imunossupressão. Por outro lado, quem já recebeu a Dengvaxia pode tomar a QDENGA, idealmente seis meses após a última dose”, afirma André Bon, infectologia do laboratório Exame, referência da Dasa no Distrito Federal.
A eficácia geral é de 84,1% após as 2 doses e até 4,5 anos após a vacinação, enquanto a eficácia contra as formas que requerem hospitalização é de 90,4%. Os índices foram obtidos por 19 estudos da fabricante de fases 1, 2 e 3 com mais de 28 mil crianças e adultos, incluindo um estudo com seguimento de dados clínicos por 4,5 anos.
Condições climáticas favorecem proliferação do mosquito
A sazonalidade está diretamente ligada às condições climáticas que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, e a replicação do vírus da dengue. As temperaturas mais altas, típicas da primavera e do verão, aceleram o ciclo de vida do mosquito, desde a eclosão dos ovos até a fase adulta. Além disso, o vírus se replica mais rapidamente dentro do mosquito em ambientes quentes, tornando-o infeccioso em menos tempo.
“Outro vetor é o período chuvoso, que geralmente começa a se intensificar a partir de outubro em muitas regiões do Brasil, cria uma grande quantidade de recipientes com água parada. Esses locais são ideais para o mosquito depositar seus ovos. Pequenos acúmulos de água em vasos de plantas, pneus, calhas entupidas, caixas d’água destampadas e outros objetos podem se tornar criadouros”, afirma Rosana Richtmann.
Essas condições começam a preparar o terreno para a proliferação do mosquito. Os ovos do Aedes aegypti podem sobreviver por longos períodos em locais secos e eclodem rapidamente quando entram em contato com a água, o que explica o rápido aumento de mosquitos após as primeiras chuvas.
“O aumento de casos durante esses meses sobrecarrega os sistemas de saúde, exigindo campanhas intensificadas de prevenção e combate ao mosquito, além de monitoramento constante da população para identificação precoce e tratamento dos doentes”, reforça André Bon.
*Informações Assessoria de Imprensa