
Em época de avanços tecnológicos como IAs generativas, que vêm revolucionando o modo como a sociedade se comporta, transpor esse diálogo para a área da saúde se faz cada vez mais urgente. Nesta semana, dia 5 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional da Saúde, em homenagem a Oswaldo Cruz. E na data, diversas ações são realizadas nos mais diversos âmbitos, sobretudo no que diz respeito à prevenção de doenças e promoção de hábitos saudáveis. Mas tem um aspecto fundamental da saúde que ainda recebe pouca atenção: o direito à autonomia e à mobilidade plena.
Segundo o IBGE, cerca de 14,4 milhões de pessoas no Brasil convivem diariamente com uma deficiência. E para parte dessa população, a autonomia e a mobilidade estão diretamente relacionadas a políticas públicas de acesso à tecnologia de próteses e órteses, assim como a outros recursos básicos de tecnologia assistiva, como cadeiras de rodas, por exemplo. Falar sobre saúde para grande parcela da população brasileira é falar sobre investimentos que garantam cada vez mais pesquisa, desenvolvimento, incentivos e políticas para tecnologias que possam estar presente na vida dessas pessoas.
Para esse público, saúde não é apenas o fim de um tratamento médico ou o alívio de uma dor. Saúde é também poder caminhar novamente, retomar atividades profissionais, participar de atividades físicas, cuidar da própria família e voltar a ocupar espaços sociais com segurança e dignidade.
Assim, entender que saúde não é apenas a ausência de doença e sim um estado completo de bem-estar, é possibilitar que o avanço de tecnologias cada vez mais faça parte da vida das pessoas que passam por processos de amputação, por exemplo, ou ainda pessoas que têm algum tipo de deficiência congênita.
Tecnologias assistivas desempenham um papel essencial nesse processo: elas não apenas recuperam funções físicas, mas também restauram o senso de independência e autoestima de milhares de pessoas todos os anos.
E os avanços existem. Temos visto cada vez mais no mercado próteses e órteses com microprocessadores que simulam o movimento, comandadas por apps, equipamentos personalizados. Recentemente, viralizou um vídeo nas redes sociais, compartilhado por uma estudante alemã e com mais de 33 milhões de visualizações, em que ela, Emelie Dahnke, vestindo um traje especial, da Ottobock, levanta de uma cadeira de rodas e anda. A tecnologia, desenvolvida pelo sueco Fredrik Lundqvist é impressionante. Possibilita que pacientes com condições neurológicas, como lesão medular, AVC, paralisia cerebral ou esclerose múltipla, possam recuperar movimento e independência. Parece milagre, mas é pura tecnologia.
Esse é só um exemplo específico de tecnologia que realmente tem impacto num nicho de pessoas. Existem diversos outros. Mas, mais que trazer exemplos, é preciso refletir sobre o alcance desse progresso. É preciso pensar em saúde de forma integral. Políticas públicas, mais inclusivas, de acesso e inovação são fundamentais para construirmos uma sociedade em que todos os cidadãos tenham possibilidade de usufruir de uma vida saudável, com qualidade. Por isso, defendemos que o debate sobre saúde inclua, cada vez mais, o tema da inclusão tecnológica e da democratização do acesso às tecnologias assistivas. Ampliar esse acesso significa investir em dignidade, em equidade e em um país mais justo para todos.

*Vanessa Cruz é especialista em tecnologia assistiva e coordenadora técnica de Mobility da Ottobock
Atenção! A responsabilidade do conteúdo é do autor do artigo, enviado para a equipe do Saúde Debate. O artigo não representa necessariamente a opinião do portal, que tem a missão de levar informações plurais sobre a área da saúde.






