O avanço silencioso do VSR: o frio e a sobrecarga hospitalar no Paraná

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(Foto: Drazen Zigic/Freepik)

O inverno chegou de forma rigorosa a Curitiba e à Região Metropolitana trazendo não apenas baixas temperaturas, mas também um aumento expressivo nos casos de infecções respiratórias. Entre os vírus mais preocupantes está o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), historicamente conhecido por provocar quadros graves de bronquiolite e pneumonia, principalmente em crianças menores de 2 anos.

De acordo com o Boletim Epidemiológico n.º 08 da SESA-PR (25/06/2025), o VSR foi responsável por 180 das 3.057 amostras de síndrome gripal analisadas até a 25ª semana epidemiológica, o que representa 16,5% das detecções de vírus respiratórios. Já entre os casos graves hospitalizados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), mais de 3.600 foram atribuídos a vírus respiratórios diversos, incluindo o VSR.

O crescimento da positividade para o VSR foi notável: de 0,3% em janeiro para expressivos 27% em junho, com forte tendência de elevação nas semanas seguintes. Esse comportamento sazonal é típico em países de clima subtropical, como o Brasil, onde a circulação do VSR se intensifica entre abril e agosto.

A consequência imediata desse cenário é a sobrecarga na rede hospitalar, especialmente nas unidades pediátricas. A maioria dos casos de SRAG por vírus respiratórios acometeu crianças menores de seis anos (49,7%), reforçando a necessidade de ações preventivas eficazes. Ainda conforme o boletim, 90,5% dos casos e 95,2% dos óbitos por vírus respiratórios ocorreram em pessoas com algum fator de risco — sendo a infância e a senilidade os grupos mais vulneráveis.

A resposta a essa realidade precisa combinar tradição e estratégia. A vacinação contra a influenza, apesar de não prevenir o VSR, reduz infecções associadas e complicações. Para o VSR, o uso do palivizumabe continua sendo recomendado para prematuros e crianças com comorbidades, segundo protocolos da SESA-PR. Além disso, o cuidado com a ventilação de ambientes, higiene das mãos e o afastamento social de sintomáticos seguem como medidas clássicas e eficazes.

Na docência e na gestão da saúde pública, vivemos um momento que exige vigilância constante, atuação em rede e valorização da ciência. Da cadeira de professora do curso de Enfermagem, deixo o alerta: o frio exige mais que cobertores — demanda prevenção, dados confiáveis e ação coordenada.

*Giovana Fratin é coordenadora do curso de Enfermagem do Centro Universitário FAPI

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