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Nas últimas décadas, a inclusão tem se consolidado como uma prioridade nas pautas sociais, educacionais e corporativas. Rampas de acessibilidade, intérpretes de libras e sinalizações em braile são exemplos de avanços que têm transformado a forma como encaramos as necessidades de pessoas com deficiência. Mas, quando o tema é a acessibilidade auditiva, ainda há muito a ser feito.
Atualmente, mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum grau de perda auditiva, e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, esse número pode chegar a 2,5 bilhões até 2050.
Ainda assim, a audição é um dos sentidos menos discutidos quando falamos em inclusão. Essa invisibilidade cria barreiras diárias para milhões de pessoas — sejam elas físicas, sociais ou emocionais.
Ouvir vai além de captar sons. É um processo que nos conecta ao outro, nos integra ao ambiente e nos permite interagir plenamente. No entanto, para quem vive com perda auditiva, essa conexão pode ser profundamente afetada, levando a um ciclo de isolamento, dificuldades de comunicação e até impactos na saúde mental.
Os avanços tecnológicos transformaram a maneira como lidamos com a perda auditiva. É aqui que os aparelhos auditivos desempenham um papel fundamental. Eles não apenas restauram a capacidade auditiva, mas também devolvem a confiança e a autonomia, permitindo que as pessoas voltem a interagir em igualdade de condições. Ainda assim, é importante lembrar que a inclusão auditiva vai além do uso de tecnologia. Trata-se de um esforço coletivo para criar ambientes que considerem as necessidades de todos. Por outro lado, sem políticas públicas que garantam acesso a esses dispositivos e sem ambientes inclusivos que acolham essas necessidades, a desigualdade persiste.
Em um mundo cada vez mais conectado, deixar alguém fora da conversa não é mais uma questão de falta de tecnologia, mas de falta de ação. A inclusão auditiva é mais do que uma necessidade individual; é um reflexo da nossa capacidade de construir uma sociedade mais justa e colaborativa.
As empresas precisam liderar pelo exemplo, incorporando adaptações como sistemas de amplificação sonora, legendas e treinamento para suas equipes. Os espaços públicos devem ser repensados para atender a todos, garantindo que ninguém seja excluído. E, como sociedade, devemos promover o diagnóstico precoce e o acesso à saúde auditiva como direitos fundamentais.
A acessibilidade auditiva é mais do que uma questão de som: é sobre dar voz às pessoas. Trata-se de criar oportunidades para que todos possam participar, contribuir e viver plenamente. E isso exige um esforço coletivo que vá além de dispositivos ou soluções pontuais.
Quando incluímos a audição no debate sobre acessibilidade, damos um passo importante para construir um futuro onde ninguém seja deixado para trás — ou
silenciado. Afinal, ouvir não é apenas um sentido, mas uma ponte que conecta pessoas, ideias e sonhos.
*Erica Bacchetti, fonoaudióloga e gerente de Audiologia da AudioNova
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