Férias sim, mas com circulação em dia

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2025-08-01 | 16:00h
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2026-02-04 | 18:37h
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(Foto: Freepik)

As férias são, para muitos de nós, um alívio merecido. No entanto, o que poucos sabem é que esse período de descanso pode vir acompanhado de um risco silencioso e grave: a trombose venosa profunda, resultado de longos períodos de imobilidade durante viagens aéreas ou rodoviárias.

Estudos recentes reforçam o que a medicina vascular observa há tempos: o sedentarismo prolongado é tão prejudicial quanto o tabagismo. Uma pesquisa da UK Biobank, publicada em 2023 e realizada com mais de 89 mil pessoas, mostrou que permanecer sentado por mais de 10,6 horas por dia aumenta em 40% o risco de insuficiência cardíaca e em 54% o risco de morte cardiovascular – mesmo entre aqueles que se exercitam regularmente. Ou seja: uma única viagem longa pode se tornar um gatilho perigoso, especialmente quando combinada com desidratação e baixa movimentação.

Durante voos ou trajetos superiores a duas horas, a chamada “síndrome da classe econômica” pode se manifestar: a pressão atmosférica reduzida, somada à imobilidade e à menor ingestão de água, favorece o espessamento do sangue e dificulta o retorno venoso, que aumentam as chances de formação de coágulos. Vale lembrar que a panturrilha é considerada nosso “coração venoso” – é ela que impulsiona o sangue de volta ao coração. Quando não é estimulada, a circulação sofre.

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É um erro pensar que apenas pessoas idosas ou com doenças crônicas estão suscetíveis a esses riscos. Na prática, vemos um número cada vez maior de pacientes jovens e aparentemente saudáveis desenvolvendo tromboses após viagens. O alerta se estende também às crianças: em voos ou longos trajetos de carro, o uso contínuo de cadeirinhas e assentos pode comprometer a circulação, por isso é importante a realização de pausas para movimento.

Para reduzir os riscos, a prevenção precisa começar antes do embarque. A hidratação adequada – cerca de 35 ml de água por quilo de peso corporal – deve ser iniciada 24 horas antes da viagem. Durante o trajeto, recomenda-se movimentar os pés como se estivesse acelerando um carro, contrair as panturrilhas ritmicamente e usar meias de compressão graduada. Além disso, o uso indiscriminado de medicamentos para dormir deve ser evitado, pois pode prolongar a imobilidade.

Sinais como dor persistente em uma perna, inchaço assimétrico ou mudança na coloração da pele até cinco dias após a viagem exigem atenção médica imediata. São sintomas possíveis de uma trombose venosa, que pode evoluir para complicações graves, como embolia pulmonar.

Viajar é uma experiência transformadora e revigorante – mas não deve ser feita às custas da saúde vascular. Da mesma forma que nos preocupamos com documentos, reservas e vacinas, é hora de incluir o cuidado com a circulação como item básico no planejamento de qualquer trajeto.

Que possamos viver nossas férias com o equilíbrio que a gente precisa: mente leve e corpo em movimento.

*Dra. Haila Almeida é Médica cirurgiã vascular com atuação focada em tratamentos de vasinhos e varizes por meio da tecnologia a laser, fundadora e líder do Instituto Alphaveins.

Atenção! A responsabilidade do conteúdo é do autor do artigo, enviado para a equipe do Saúde Debate. O artigo não representa necessariamente a opinião do portal, que tem a missão de levar informações plurais sobre a área da saúde. 

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