Obesidade no Brasil: estratégias de combate

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(Foto: Freepik)

Alimentação ultraprocessada cada vez mais acessível e estilo de vida mais sedentário: essas duas questões, juntas, têm contribuído para que o Brasil atinja níveis alarmantes de excesso de peso e obesidade. Os dados mais recentes do Mapa da Obesidade apontam que mais de 55% da população está acima do peso, enquanto mais de 20% já atingiu o patamar de obesidade.

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A mesma pesquisa mostra que, entre 2006 e 2019, a obesidade entre os brasileiros aumentou em 72% – e a tendência é de crescimento para os próximos anos. Apesar de vivemos uma era com muito mais informação acerca dos riscos dessa doença crônica, o estilo de vida contemporâneo contribui, e muito, para que o quadro se agrave. “Fatores como estresse crônico, privação de sono, uso excessivo de telas e questões emocionais impactam diretamente o metabolismo e o comportamento alimentar. A conscientização existe, mas muitas vezes não se traduz em mudança prática sustentável”, pontua o médico referência em emagrecimento sustentável e fundador do Emagrecentro, Edson Ramuth.

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Apesar de homens e mulheres terem risco de desenvolver a obesidade, o público feminino acaba sendo mais afetado pela doença crônica, já que questões hormonais, gestacionais e metabólicas se tornam fatores de risco. “Esses quesitos aumentam a tendência de as mulheres acumularem gordura de forma diferente, podendo ter mais dificuldade em perder peso em determinadas fases da vida. Já os homens costumam acumular mais gordura visceral, que está associada a maior risco cardiovascular, portanto, o risco existe para ambos, mas com características distintas.”

Além disso, a genética também tem um papel relevante no quadro, influenciando fatores como o metabolismo, a saciedade e a resposta do organismo aos alimentos. Conforme Ramuth, o histórico familiar, o ambiente em que a pessoa cresceu e os hábitos aprendidos da infância, bem como o uso de determinados medicamentos, distúrbios hormonais e saúde emocional aumentam significativamente o risco de obesidade.

Individualmente, existem algumas estratégias que podem ser adotadas para evitar a obesidade, de acordo com o médico:

  • Priorizar alimentos naturais e minimamente processados com redução de ingestão de carboidratos;
  • Manter uma rotina regular de refeições;
  • Praticar atividade física de forma consistente, mesmo que moderada;
  • Dormir bem e gerenciar o estresse;
  • Buscar acompanhamento profissional quando necessário;

Contudo, vale reforçar o papel que a sociedade, como um todo, também desempenha na prevenção da doença. “É fundamental investir em educação alimentar desde a infância, melhorar o acesso a alimentos saudáveis, criar ambientes urbanos que estimulem a prática de atividade física e regular a publicidade de alimentos ultraprocessados, especialmente para crianças. Políticas públicas consistentes têm impacto direto na redução da obesidade populacional.”

Complicações da obesidade

O médico reforça que a obesidade vai muito além de uma questão estética: é uma doença crônica que, inclusive, pode gerar diversas complicações, estando associada a outras doenças. “Ela impacta diretamente a qualidade e a expectativa de vida, estando ligada a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, problemas articulares, infertilidade, alguns tipos de câncer e transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade, além disso, impacta diretamente a qualidade e a expectativa de vida”, reforça.

Em contrapartida, o tratamento é individualizado e exige um acompanhamento contínuo, sem receitas milagrosas. “A base é a mudança no estilo de vida reeducação alimentar, um pouco de atividade física e, em alguns casos, uso de medicações ou procedimentos médicos”, destaca, reforçando que a obesidade não é tratada de forma rápida ou temporária.

Por fim, Ramuth lembra que ter obesidade não é sinônimo de “falta de força de vontade”, como ainda é difundido pela sociedade. “Não enfrente isso sozinho. Buscar ajuda profissional, estabelecer metas realistas e cuidar da saúde de forma integral, corpo e mente, faz toda a diferença.”

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Cunho
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