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O que é "flurona"?

Novo termo relacionado à pandemia é a denominação para a co-infecção por Influenza e coronavírus

por Saúde Debate

05/01/2022
Sobre: Casos de flurona são registrados em vários estados brasileiros
Créditos: Wayhomestudio / Freepik

O aumento expressivo de casos de Covid-19 e de Influenza, por meio da cepa H3N2, fez com que surgisse um novo termo nesta pandemia. Isto porque já está acontecendo a co-infecção por Influenza e coronavírus, que passou a ser denominada de "flurona". O contágio simultâneo passou a ser conhecido desta forma, por uma designação definida a partir dos termos flu (gripe, em inglês) e rona (de coronavírus).


O Estado de São Paulo já registrou 110 casos de codetecção do vírus Influenza e do vírus da Covid-19 considerando todo o ano de 2021, informou a Secretaria de Estado da Saúde no dia 4 de janeiro. Isso significa que os pacientes contraíram as duas doenças ao mesmo tempo.Os dados foram extraídos do sistema Sivep-Gripe e referem-se a casos hospitalizados que tiveram critério de encerramento laboratorial e positividade para Influenza e SARS-CoV-2 por meio de teste rápido de antígeno, imunofluorescência ou RT-PCR.


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A secretaria ressalta que, conforme definição do Ministério da Saúde, somente os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) são de notificação compulsória, ou seja, apenas casos com necessidade de hospitalização.


Na cidade do Rio de Janeiro, um adolescente de 16 anos foi o caso registrado de "flurona". Ele começou a ter sintomas gripais no dia 29 de dezembro. No dia seguinte, o adolescente fez dois testes em laboratórios da rede privada que detectaram resultados positivos para o coronavírus SARS-CoV-2 e para o vírus Influenza A.


A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou, em nota, que entrou em contato com os pacientes com resultado positivo para as duas doenças, a partir de exames feitos na rede particular, e está fazendo a investigação epidemiológica. “A coinfecção não é algo comum, mas já há registros dessa ocorrência em alguns países”, disse a pasta, sem informar quantos casos estão sendo analisados no município.


“As medidas já conhecidas pela população seguem cruciais para combater a pandemia do coronavírus: uso de máscara, que segue obrigatório em SP; higienização das mãos (com água e sabão ou álcool em gel); distanciamento social; e a vacinação contra a covid-19 e Influenza”, divulgou a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.


O virologista e professor da Universidade de Brasília, Bergmann Ribeiro, explica que a flurona não é uma doença específica, e a coinfecção com dois vírus não é rara na medicina. Ele acrescenta que os sintomas da Covid e da gripe Influenza são semelhantes, e só mesmo um exame de laboratório pode confirmar casos de flurona.


Já os sintomas de uma dupla infecção não são necessariamente mais graves, e podem até ser leves, mas isso depende da imunidade de cada pessoa. O virologista aponta os cuidados que se deve ter para evitar o duplo contágio, como o uso de máscaras e distanciamento social.


Bergamnn Ribeiro relata que, com as festas de fim de ano e a não obrigatoriedade de uso de máscaras em ambientes externos, o contágio subiu naturalmente. Ele informa que a redução do número de vacinados contra a gripe também é uma das causas para o registro de casos de Flurona no Brasil.


O primeiro caso de Flurona neste ano foi detectado em Israel, em uma mulher grávida não vacinada, de acordo com o Ministério da Saúde daquele país. Ela recebeu alta em 30 de dezembro, depois de tratada com sintomas leves. Os primeiros casos de flurona já tinham sido detectados nos Estados Unidos em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.


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(Foto: AlexeyZhilkin / Freepik)


Curitiba


Em Curitiba, a Secretaria Municipal da Saúde vem registrando aumento no atendimento de pacientes com sintomas respiratórios, com suspeitas de Covid-19 ou gripe, mas ainda não há confirmação de "flurona". Na capital paranaense, até 7 de janeiro, 12 unidades de saúde foram direcionadas especificamente para estes atendimentos, entre 7h e 20h. Também está acontecendo o atendimento pela central 3350-9000. Por telefone, o usuário é atendido por profissionais de Saúde, que orientam sobre o isolamento, avalia caso a caso, pode agendar testes de covid e, nos casos necessários, prescrever medicação ou encaminhar para outros pontos de atendimento. 


Além disto, a secretaria está enfatizando a importância da prevenção. Para as duas doenças, as orientações são as mesmas: uso de máscaras sempre que estiver fora do ambiente familiar, higienizar constantemente as mãos com álcool em gel ou lavá-las com água e sabão, manter ambientes bem arejados e ventilados.


A secretaria avalia que o aumento de pessoas com sintomas respiratórios pode estar associado à circulação combinada da variante H3N2 e também da propagação da variante Ômicron. O epidemiologista da pasta, Diego Spinoza, explica que esses vírus encontraram uma combinação de fatores ideal para se propagarem. “Esses vírus, de transmissão pelo ar, se aproveitam do efeito do relaxamento das medidas não farmacológicas de proteção por parte da população. Com as pessoas deixando de usar máscara, reduzindo a higienização das mãos e a volta das aglomerações, em eventos e confraternizações, por exemplo”, diz.


Em comum, as duas doenças se manifestam com os mesmos sintomas: tosse, dor de garganta, febre, congestão nasal, perda do olfato ou paladar. A orientação, nestes casos, é para as pessoas fazer isolamento e procurar apoio nos serviços de saúde. 


* Com informações da Agência Brasil e da Secretaria de Saúde de Curitiba


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