
Para evitar aglomeração nos hospitais e clínicas e se protegerem da contaminação da Covid-19, muitas pessoas recorreram às consultas médicas virtuais, utilizando apenas o computador ou o celular. Nesse sentido, a telemedicina cresceu durante o período da pandemia. De acordo com a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), 90% dos pacientes foram atendidos por médicos de maneira virtual. A pesquisa ainda apontou que, entre abril de 2020 e março de 2021, 2,5 milhões de pessoas realizaram teleconsultas.
A expectativa é de que até o final de 2022, 30 milhões de pessoas deixem de ir ao médico de forma presencial. O levantamento foi realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e de Saúde Digital (Saúde Digital Brasil).
Tecnologia a favor da saúde
Um fator importante para esse crescimento é a utilização de software médico desenvolvido pelas empresas de tecnologia da saúde. Segundo um estudo feito pela plataforma Sling Hub, esse segmento registrou um crescimento de 50%, indo de 542 healthtechs em 2020 para 1.158 em 2021.
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Por ser um tema ainda recente no país, há muitas dúvidas. Neste artigo, vamos esclarecer esse assunto. Vamos começar pela regulamentação dessa modalidade de trabalho no Brasil.
Regulamentação da telemedicina
A telemedicina foi regulada pela primeira vez pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2002, por meio da Resolução CFM nº 1.643/2002. Mas a prática passou por muitas revisões e atualizações ao longo dos anos.
Em 2018, o CFM publicou a Resolução CFM nº 2.228/2018, que regulamentou a modalidade. Através dela, foi permitida a primeira consulta virtual, a autorização de diagnósticos e até mesmo, a realização de cirurgias de modo remoto.
Em 2019, o órgão realizou a resolução CFM nº 2.228/2019. Porém, ela não foi bem aceita pelos Conselhos Regionais e outros órgãos da categoria. Em virtude disso, a CFM desistiu dela, sendo revogada com somente 28 dias de existência.
A telemedicina só foi autorizada no Brasil, após o decreto de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN), em 2020. Antes desse período, sua implementação não era autorizada.
Neste ano, o Conselho Federal de Medicina divulgou a Resolução nº 2.314/2022, onde regulamenta e atualiza a prática da telemedicina no Brasil, seguindo as normas vigentes da saúde e das tecnologias de comunicação.
Pandemia de Covid-19
Contudo, com a chegada da pandemia de Covid-19, o cenário passou por transformações. Com isso, os hospitais, clínicas e demais instituições precisaram repensar as resoluções adotadas sobre a telemedicina.
Diante da situação, o Conselho Federal de Medicina decidiu ampliar a prática da telemedicina no Brasil. Essa decisão foi tomada através do Ofício CFM nº 1.756/2020.
O documento concedeu autorização para realizar a telemedicina em 3 categorias: teleorientação, telemonitoramento, teleinterconsulta. Essa decisão revelou que o órgão percebeu a importância dessa modalidade na segurança das pessoas e do sistema de saúde, em evitar a disseminação da doença e na proteção de vidas.
Expansão
Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital (Saúde Digital Brasil), no período de 2020 e 2021, foram registrados mais de 7,5 milhões de atendimentos conduzidos por mais de 52,2 mil médicos.
De acordo com a pesquisa Panorama das Clínicas e Hospitais 2021, 70% das instituições de saúde trabalham com a telemedicina junto aos pacientes. Desses profissionais, 24% adotaram a modalidade por completo, enquanto que 48% aderiram de modo parcial.
Pontos importantes sobre a adesão da telemedicina
Um dos pontos fundamentais é que, nesta modalidade de atendimento, há uma considerável economia de tempo. Isso significa que as consultas podem ser mais rápidas, simples e sem atrasos, já que não há a necessidade de se deslocar e enfrentar o trânsito para chegar no hospital ou na clínica. Além disso, os médicos e demais profissionais da saúde podem atender os pacientes de qualquer lugar, até mesmo de outros países.
Outro aspecto favorável é a economia de custos para o paciente. Além disso, tem a questão da acessibilidade, pois possibilita a conexão entre médicos e pacientes sem maiores obstáculos. Isso, inclusive, facilita a troca de informações sobre histórico médico, prognóstico e diagnóstico.
Um ponto de atenção na adesão da telemedicina está relacionado com os custos envolvidos na implantação de software, equipamentos e outros tipos de tecnologia para realizar o atendimento médico sem comprometer a qualidade da atuação. Essas despesas acabam sendo repassadas em algum grau para os pacientes, pois podem ser incluídas nos valores das teleconsultas.
Outro aspecto a considerar é a necessidade de treinar os profissionais da saúde, médicos e os pacientes no uso de software e demais tecnologias nas consultas online. É importante lembrar também de pessoas idosas que, em sua maioria, não dominam o uso dessas ferramentas e podem ter dificuldades para aprender.
Adesão dos médicos
Cada vez mais os médicos aderem ao trabalho virtual e os dados mostram isso claramente. Segundo o CFM, dois de cada três médicos brasileiros acreditam que a telemedicina é um método eficaz e seguro para atender os pacientes, especialmente depois da pandemia do coronavírus. Metade desses profissionais já atuam nessa modalidade e cerca de 90% desejam continuar utilizando esse recurso.
Experiências dos pacientes
De acordo com os dados coletados da Saúde Digital Brasil, a Santa Casa de Misericórdia, localizada em Porto Alegre – no Rio Grande do Sul, realizou 20 mil consultas remotas. Desse número, apenas 300 pessoas solicitaram atendimento presencial. Além disso, uma pesquisa do Sindicato dos Hospitais de São Paulo em 139 instituições privadas de saúde, mostra que 07 a cada 10 pacientes estão satisfeitos com o atendimento realizado através da telemedicina.
Os números acima nos mostram como a telemedicina é um processo seguro, bem aceito pelos pacientes e que só vem crescendo no Brasil. Claro, as consultas presenciais ainda serão necessárias, mas poder escolher ir ou não ao consultório para ter um atendimento de qualidade pode ser muito prático.
*Informações Assessoria de Imprensa Amplimed











