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Maio é o mês cinza - Conscientização do Câncer de Cérebro

Confira a coluna assinada por Jaqueline Maria Oliani Ijuim, vice-presidente do Crefono3

por Crefono3

03/05/2021
Créditos: Imagem de kalhh por Pixabay

A cor de maio é cinza, para conscientização do câncer cerebral. A campanha tem como objetivo alertar e esclarecer dúvidas sobre a importância do reconhecimento precoce desta doença e chamar a atenção para alguns sintomas que servem de alerta.


Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA-2020), o câncer cerebral está entre os 10 tipos de câncer que mais matam, sendo que no Brasil, é responsável por 4% das mortes por câncer. Cerca de 88% dos tumores de Sistema Nervoso Central (SNC) são no cérebro. O número de mortes em decorrência de câncer no SNC foi de 4,1% de homens e 4,2% de mulheres.


Os tumores cerebrais não estão entre a lista dos mais comuns, também não são tão fáceis de identificar, pois, diferente de outros tipos de câncer, não tem exames de rotina para realização de diagnóstico precoce. Constituem de massas de células anormais, neoplásicas ou não, localizadas dentro do crânio, porém todos podem ser potencialmente fatais, pois o cérebro é um órgão fundamental no controle das funções do nosso corpo. Os tumores comprometem o cérebro por destruição do tecido normal, compressão e aumento da pressão intracraniana. Podem ser primários, quando sua origem ocorre nas células do SNC, ou, secundário, por metástase vinda de outro órgão acometido, principalmente pulmão e mamas, sendo esta, a forma mais comum.


O que pode aumentar o risco de câncer no cérebro?


Segundo dados do INCA, dois fatores são mais conhecidos:

- Exposição à radiação ionizante – raios-X, radioterapia ou exames excessos com radiação, como a tomografia.

- Deficiência do sistema imunológico vírus HIV ou uso de medicamentos ou drogas que suprimem o sistema imunológico.


Sintomas

Uma das consequências do tumor cerebral é o aumento da pressão intracraniana, pois o cérebro fica dentro de uma caixa de ossos, que não se expande, portanto, o aumento de qualquer parte do cérebro, pode gerar uma hipertensão intercraniana. Dores de cabeça persistentes, náuseas, vômitos, visão turva, problemas de equilíbrio, alterações na personalidade ou comportamento, convulsão e sonolência excessiva, são alguns dos sintomas causados pelo aumento da pressão intracraniana. É importante salientar que os sintomas variam bastante, pois vão depender da parte do cérebro afetada.


Sintomas específicos:

Como os tumores cerebrais podem ocorrer em diferentes áreas do cérebro, consequentemente apresentam alguns sintomas bem específicos de acordo com as funções que a área afetada é responsável.


Tumores localizados no Lobo Frontal: alterações da personalidade e do comportamento, dificuldade de planejamento e de organização, desorientação de tempo e espaço, dificuldade para andar, perda de olfato, dificuldade de reconhecimento visual de objetos e déficits de reconhecimento de partes do corpo, alterações da fala (disartria), distúrbios motores, diminuição de força em músculos da face


Tumores no Lobo Parietal: dificuldade para falar ou entender o que é falado problemas com a leitura ou a escrita, distúrbios de sensibilidade, alterações da percepção e distúrbios viso espaciais, distúrbio sensoriais. Podem aparecer apraxias e disfagia graves.


Tumores localizados no Lobo Temporal: crises convulsivas, distúrbios cognitivos e quando localizados no hemisfério esquerdo podem alterar a linguagem (afasias).


Tumores no Lobo Occipital: alterações no campo visual podendo levar à perda parcial da visão.


Tumores no Cerebelo: alteração da coordenação motora afetando tanto a fala quanto a marcha, incoordenação do movimento dos olhos, náusea ou enjoo, cefaleia, rigidez da nuca e vertigem.


Tumores localizados no Tronco Cerebral: podem levar a alterações da motricidade facial, dificuldades para engolir, alterações motoras da fala e visão dupla. Um sintoma que pode ser observado é a paralisia ou distúrbio da sensibilidade facial por lesão de nervos cranianos, especialmente o V, VI e o VII.


A atuação fonoaudiológica


O primeiro passo é o diagnóstico neurológico e a conduta que o neurologista vai seguir (cirurgia, medicamentos e condutas pós cirurgia) que é imprescindível para o planejamento fonoaudiológico. Como muitas atividades de rotinas podem sofrer algumas restrições, o atendimento por uma equipe multidisciplinar deve ser iniciado logo após o diagnóstico, orientando e minimizando os prejuízos. Nesta equipe, o fonoaudiólogo deve estar inserido, avaliando, orientando, minimizando os prejuízos e tratando as sequelas. A atuação conjunta da equipe é fundamental visando a melhora na qualidade de vida deste paciente.


O câncer do sistema nervoso central pode acometer diversos nervos cranianos, além de áreas do cérebro responsáveis pela deglutição, articulação, linguagem, voz, cognição. Entre as alterações mais comuns na área fonoaudiológica temos: a disfagia e a disartria (decorrentes da compressão dos nervos cranianos, principalmente trigêmeo, facial, glossofaríngeo, vago e hipoglosso); a afasia e a apraxia, porém muitos pacientes podem apresentar muitas outras alterações, como citado anteriormente, tudo vai depender do tipo de câncer, do local, da gravidade e da extensão da área acometida.


O fonoaudiólogo poderá atuar em três etapas:


No pré-operatório: dando orientações em relação as dificuldades de fala, voz e deglutição que poderão ocorrer.


No pós-operatório: trabalhando em conjunto com o cirurgião, coletando informações importantes.

Na reabilitação: centrado na melhora da deglutição, a funcionalidade da comunicação e a prevenção de futuras disfunções por adaptações errôneas.


O Fonoaudiólogo é o profissional habilitado para avaliação e reabilitação dos distúrbios de fala, audição, deglutição, motricidade orofacial e voz decorrentes do câncer e/ou de seu tratamento.


O objetivo da intervenção fonoaudiológica é o de garantir a funcionalidade da comunicação e da deglutição e o de prevenir futuras disfunções por adaptações errôneas, sendo que o planejamento terapêutico fonoaudiológico vai depender da gravidade, da localização, do tipo e da extensão do tumor.


Referências:



https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-sistema-nervoso-central

http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-dos-tumores-cerebrais-snc/892/294/

https://afasia.com.br/tumor-cerebral/

https://vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-cerebro/cancer-de-cerebro-o-que-e/

Luiz, MR; Mansur, LL. Atuação fonoaudiológica em tumores do SNC. In Fonoaudiologia em Cancerologia.  Barros, APB et all (org) Fundação Oncocentro de São Paulo, Comitê de Fonoaudiologia em Cancerologia, 2000, p.121-144.


*Jaqueline Maria Oliani Ijuim - CRFa 3 - 4662-2, é vice-presidente do Crefono3.


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