A telemedicina consolidou-se no Brasil como ferramenta de ampliação de acesso e redução de deslocamentos, especialmente após a pandemia. Com a maturidade do setor, porém, começam a surgir limitações operacionais do modelo exclusivamente remoto, sobretudo em especialidades que exigem exames clínicos prévios para orientação diagnóstica.
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A discussão ganha relevância em meio à digitalização do sistema público e privado de saúde e à busca por maior eficiência no uso de recursos assistenciais. A expansão da consulta remota, por si só, não resolve gargalos estruturais quando há ausência de dados clínicos antes da avaliação médica especializada.
Com base em duas décadas de atuação no desenvolvimento de soluções móveis, a Kure criou mais de 180 unidades de saúde entre carretas, caminhões, ônibus, contêineres e cabines de telemedicina, que já realizaram mais de 5 milhões de atendimentos em 73 cidades brasileiras. A experiência levou a companhia a estruturar um modelo híbrido que combina infraestrutura física equipada com dispositivos diagnósticos e consulta digital.
Nos dois primeiros projetos sob operação direta do modelo híbrido, aproximadamente 300 pacientes foram atendidos. Atualmente, cerca de dez unidades entre carretas, cabines e totens de teleatendimento estão em operação.
Segundo Iseli Yoshimoto Reis, CEO da Kure, a telemedicina exclusivamente remota permanece eficaz para demandas de baixa complexidade, como orientação clínica inicial e atualização de receituário. O desafio surge em especialidades que dependem de exames preliminares. “A consulta digital amplia o acesso, mas, em determinadas áreas médicas, a ausência de exames prévios limita a capacidade diagnóstica. Sem dados clínicos estruturados, o especialista trabalha com maior grau de incerteza”, afirma.
No modelo híbrido, dispositivos são integrados à plataforma digital para realização de exames antes da consulta. Em oftalmologia, por exemplo, são feitos procedimentos como fundo de olho e aferição de pressão ocular. Em cardiologia e otorrinolaringologia, a coleta prévia de informações clínicas também influencia diretamente a condução do atendimento.
A aplicação concentra-se em áreas remotas e periferias urbanas, onde a oferta presencial de especialistas é restrita. A integração entre exame físico estruturado e consulta remota permite ampliar a resolutividade e organizar o fluxo assistencial, reduzindo encaminhamentos desnecessários para unidades hospitalares de maior complexidade.
Para a executiva, o setor entra em uma nova etapa de desenvolvimento. “A primeira fase foi de expansão digital. A segunda é de eficiência operacional. Não basta ampliar consultas remotas. É necessário garantir segurança diagnóstica e uso racional dos recursos do sistema”, diz.
O debate passa a envolver desenho institucional e integração com a regulação local, especialmente no contexto de consolidação da telemedicina como política pública e estratégia das operadoras privadas. “Conectividade é essencial, mas precisa estar associada a equipamentos, protocolos clínicos e integração territorial. A digitalização isolada pode não atingir o impacto esperado”, conclui.
*Informações Assessoria de Imprensa
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