Um estudo de impacto global conduzido pela Rush University (EUA) acaba de confirmar que hábitos simples, como ler, escrever e aprender novos idiomas, podem reduzir o risco de demência em quase 40%. No Brasil, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) chancela os dados e reforça: nunca é tarde para começar a construir sua “reserva cognitiva”.
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A pesquisa acompanhou cerca de 2 mil idosos ao longo de oito anos. O resultado é impressionante: aqueles que mantiveram mentes ativas retardaram o surgimento da doença em meia década, em comparação com aqueles que não tinham o hábito da leitura. O efeito protetor foi observado inclusive em indivíduos que iniciaram esses estímulos intelectuais apenas após os 80 anos.
A ciência por trás da “reserva cognitiva”
De acordo com Elisa de Paula França Resende, coordenadora do Departamento Científico de Cognição e Envelhecimento da ABN e estudiosa do tema, o cérebro funciona como um músculo que precisa de desafios constantes.
“A leitura e a escrita têm a capacidade única de criar novas conexões sinápticas, funcionando como um ‘escudo’ contra a perda cognitiva. Ao ler, visitar museus ou aprender algo novo, estamos construindo o que chamamos de reserva cognitiva: um estoque de resiliência que permite ao cérebro continuar funcionando bem, mesmo diante de alterações físicas típicas do envelhecimento”, explica a neurologista.
Pontos-chave do estudo:
O “remédio” que está na estante
Para a ABN, o investimento em educação e o hábito cultural são questões de saúde pública. “Pegar um livro hoje é, literalmente, uma estratégia de sobrevivência mental para o futuro”, destaca Elisa. A entidade reforça que políticas de incentivo à leitura e alfabetização funcional são ferramentas poderosas para reduzir o impacto das demências no sistema de saúde brasileiro.
*Informações Assessoria de Imprensa