Inverno acende alerta: SRAG já provoca mais de 82 mil casos e mais de 4 mil mortes

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2025-07-20 | 17:00h
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2025-07-21 | 13:44h
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(Foto: Drazen Zigic/Freepik)

O Brasil vive, neste ano de 2025, um preocupante aumento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). De janeiro a maio, mais de 82 mil casos e 4.126 mortes foram registrados em decorrência da condição, afetando todas as regiões do país, de acordo com o Ministério da Saúde. Dados atualizados até a última semana de junho indicam que a Influenza A é atualmente o principal agente causador de óbitos por SRAG, respondendo por 62% das mortes notificadas recentemente. Outro vírus em circulação relevante é o vírus sincicial respiratório (VSR), que representa importante ameaça principalmente para crianças pequenas e idosos. Este vírus acomete mais gravemente esta população citada. Os demais vírus respiratórios para este público, causam resfriados comuns.

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Com a chegada do inverno, estação que favorece a propagação de vírus respiratórios devido à maior permanência das pessoas em ambientes fechados e com pouca ventilação, os casos tendem a aumentar. Soma-se a isso a queda nas taxas de vacinação, de acordo com o DATASUS, do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal caiu para 60,7%, tem deixado um número crescente de brasileiros suscetíveis a infecções respiratórias graves.

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A SRAG não é uma doença em si, mas uma complicação decorrente de infecções como os vírus da gripe, Covid-19, VSR e outros vírus sazonais. Caracteriza-se por uma inflamação severa nos pulmões, com comprometimento da oxigenação do sangue, exigindo muitas vezes internação hospitalar ou em unidades de terapia intensiva (UTI). Nos casos mais graves, pode levar à insuficiência respiratória aguda e até à morte.

O aumento dos casos de SRAG tem sido amplamente monitorado pelo Ministério da Saúde e pelos órgãos estaduais. De acordo com o boletim InfoGripe, da fundação Oswaldo Cruz, 25 estados brasileiros já apresentaram níveis elevados de incidência, sendo que alguns deles, como Mato Grosso, Paraná, Pará, Rondônia, Roraima e Alagoas, estão em nível de alerta ou alto risco, com tendência de crescimento de longo prazo.

O perfil dos pacientes mais vulneráveis é conhecido: crianças menores de dois anos, idosos acima de 60 anos, gestantes, puérperas, indígenas, pessoas com doenças crônicas (como asma, diabetes e doenças cardíacas), imunossuprimidos (pacientes em tratamento de câncer, HIV/Aids), e indivíduos com transtornos neurológicos ou deficiências que afetam a função respiratória.

A identificação precoce da SRAG é essencial para o sucesso do tratamento por isso é necessário redobrar atenção à sinais e sintomas que indicam que a infecção possa estar se complicando. Os sinais de alerta incluem:

  • Febre persistente por mais de 3 dias, mesmo que referida
  • Tosse intensa e dor de garganta
  • Falta de ar ou desconforto respiratório
  • Saturação de oxigênio inferior a 92%
  • Agravamento de doenças preexistentes

Em crianças pequenas, os sinais podem incluir coriza, tosse, obstrução nasal e febre de início súbito. A presença desses sintomas, principalmente em grupos de risco, exige atendimento médico imediato.

O diagnóstico da SRAG é feito por profissionais de saúde a partir da combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais, de imagem e testes para identificação viral. Raio-X ou tomografia do tórax podem revelar inflamações pulmonares, e a coleta de secreções nasais (swab) permite detectar vírus como Influenza ou Covid-19.

O tratamento varia conforme a gravidade do quadro e o estado geral de saúde do paciente. Em geral, envolve:

  • Hidratação adequada e controle da febre
  • Suplementação de oxigênio com máscara ou cânula nasal, conforme necessidade
  • Fisioterapia respiratória para higiene brônquica e melhora da ventilação pulmonar
  • Uso de antivirais ou antibióticos, quando indicado
  • Suporte intensivo em UTI nos casos críticos

Casos leves podem ser resolvidos em até duas semanas, mas quadros mais graves podem se estender e demandar maior suporte hospitalar.

Diante deste cenário, a principal medida de prevenção continua sendo a vacinação. A vacina contra a gripe está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde e tem eficácia comprovada na redução de hospitalizações e mortes. Ainda assim, os dados do Ministério da Saúde comprovam que a adesão à campanha vacinal tem sido baixa, o que contribui diretamente para o aumento de casos graves e sobrecarga dos serviços de saúde.

Outras medidas preventivas importantes incluem:

  • Lavar as mãos com frequência, utilizando água e sabão ou álcool em gel
  • Evitar o contato com pessoas doentes ou com sintomas gripais
  • Usar máscara em ambientes fechados, aglomerados ou em contato com pessoas vulneráveis
  • Manter os ambientes ventilados
  • Adotar uma alimentação saudável, rica em proteínas e vegetais, para fortalecer a imunidade

A SRAG é uma consequência grave, mas evitável, de infecções respiratórias comuns. É dever de cada cidadão agir com responsabilidade. Vacinar-se é um ato de proteção coletiva, que ajuda a salvar vidas, especialmente das pessoas mais frágeis da sociedade.

*Thayse Zerger Gonçalves Dias é Mestre em Engenharia Biomédica, especialista em terapia intensiva Adulta e tutora do curso de Bacharelado em Fisioterapia do Centro Universitário Internacional Uninter 

*Fernanda Cercal Eduardo é Doutoranda em Tecnologia em saúde – Bioengenharia, Mestre em Tecnologia em Saúde – Bioengenharia e coordenadora do curso de Bacharelado em Fisioterapia no Centro Universitário Internacional Uninter

*Informações Assessoria de Imprensa

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