Cerca de 60% das mulheres terão pelo menos um episódio de infecção urinária ao longo da vida. Além disso, entre 30% e 40% poderão enfrentar infecções recorrentes, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fiocruz. Beber pouca água, segurar a urina por períodos prolongados e adotar práticas inadequadas de higiene podem provocar a doença, de acordo com a nefrologista Ana Luiza Maldonado, professora de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, cujo curso de Medicina é parte integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.
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A infecção ocorre quando bactérias entram no sistema urinário, formado pela uretra, bexiga e rins, e se multiplicam. A maior vulnerabilidade feminina está relacionada à anatomia: além de ser mais curta, a uretra da mulher fica próxima à vagina e ao ânus, facilitando a migração de microrganismos do intestino. “A bactéria mais comum é a Escherichia coli, que vive naturalmente no intestino e pode chegar ao canal da urina, provocando uma resposta inflamatória”, aponta Ana Luiza.
Em um estudo realizado no Brasil e citado pela Fiocruz, a E. coli foi responsável por 75,5% dos casos de cistite aguda analisados. Na sequência, aparecem bactérias dos gêneros Enterococcus, com 10%, e Klebsiella, com 6,4%. A atividade sexual também está associada ao risco de recorrência, especialmente entre mulheres que já apresentam predisposição.
Sintomas
Ardência ou dor ao urinar, aumento da frequência das idas ao banheiro, urgência para fazer xixi e desconforto na parte inferior do abdômen estão entre os sintomas mais comuns. A urina também pode ficar turva ou apresentar aspecto diferente do habitual.
Febre, calafrios, sangue na urina e dor forte na região lombar exigem maior atenção, pois podem indicar que a infecção atingiu os rins, quadro conhecido como pielonefrite. “Quando a infecção sobe para os rins, o risco de complicações aumenta. Por isso, esses sinais não devem ser ignorados”, orienta a nefrologista.
A suspeita de infecção urinária deve ser avaliada por um profissional de saúde, que definirá a necessidade de exames e de tratamento com antibióticos. Tomar medicamentos por conta própria ou abandonar o tratamento antes do período indicado pode favorecer a resistência das bactérias. “A interrupção precoce pode fazer com que as próximas infecções se tornem mais difíceis de tratar. Mesmo que os sintomas melhorem, é necessário seguir a orientação médica”, afirma.
Gestantes e idosas
As gestantes estão entre os grupos que exigem maior acompanhamento, porque as alterações provocadas pela gravidez podem favorecer a retenção de urina e a multiplicação bacteriana. Diabetes, baixa imunidade, doenças crônicas, alterações no esvaziamento da bexiga e uso de cateter também aumentam a vulnerabilidade.
Após a menopausa, mudanças na mucosa vaginal e na microbiota podem elevar o risco de colonização por bactérias. De acordo com dados da Fiocruz, a infecção urinária recorrente ocorre entre 10% e 15% das mulheres com mais de 60 anos.
Em pessoas idosas, manifestações como prostração, falta de apetite, quedas e alterações súbitas de comportamento podem acompanhar o quadro. Como esses sinais também podem estar relacionados a outras condições, precisam ser avaliados por um profissional de saúde e não devem, isoladamente, ser considerados confirmação de infecção urinária.
*Informações Assessoria de Imprensa