Impactos dos ultraprocessados na saúde digestiva

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(Foto: kroshka__nastya/Freepik)

O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados está entre os fatores que contribuem para o avanço de problemas gastrointestinais nos últimos anos, inclusive entre pessoas com menos de 50 anos. O alerta ganha destaque durante o Dia Mundial da Saúde Digestiva, celebrado em 29 de maio, data voltada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e cuidados com a saúde intestinal.

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Segundo especialistas, sintomas persistentes como azia frequente, dores e distensões abdominais, alterações do ritmo intestinal (constipação ou diarreia), presença de sangue nas fezes e perda de peso sem causa aparente não devem ser ignorados. Em muitos casos, os sinais podem indicar doenças inflamatórias intestinais, gastrite, refluxo gastroesofágico, infecções e até câncer colorretal.

A preocupação também acompanha o avanço do consumo de alimentos ultraprocessados no país. O excesso desses produtos na alimentação pode comprometer a saúde intestinal e favorecer o desenvolvimento de doenças crônicas. O tema ganhou repercussão internacional durante a Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em maio, na Suíça, quando o Brasil defendeu regras globais mais rígidas para a venda e publicidade desses alimentos.

De acordo com a gastroenterologista Perla Oliveira Schulz, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a saúde digestiva está diretamente ligada ao funcionamento adequado do organismo e ao equilíbrio do sistema imunológico. O intestino desempenha papel essencial na absorção de nutrientes e concentra grande parte das células de defesa do corpo.

“A saúde digestiva vai muito além da ausência de sintomas. Alimentação equilibrada, hidratação adequada, prática regular de atividade física e redução do consumo de ultraprocessados são medidas fundamentais para preservar o funcionamento intestinal e prevenir doenças”, afirma Perla.

Outro ponto de atenção é o crescimento dos casos de câncer colorretal entre pessoas abaixo dos 50 anos. A principal relação com o câncer colorretal está no fato de que processos inflamatórios crônicos no intestino elevam de forma significativa o risco de desenvolvimento desse tipo de tumor. Antes mais associado ao envelhecimento, o tumor vem sendo identificado mais cedo, reforçando a importância da investigação médica diante de sintomas persistentes e histórico familiar. Apesar do avanço da doença, o diagnóstico precoce ainda é um desafio importante. De acordo com dados do INCA, no Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de 65% dos casos são identificados em estágios avançados, o que reduz as chances de cura.

Além da prevenção, médicos destacam a importância da alimentação rica em fibras, frutas, verduras, legumes e ingestão adequada de água para manter o bom funcionamento intestinal e contribuir para o equilíbrio da microbiota, considerada essencial para a saúde digestiva e imunológica.

“Muitas doenças digestivas apresentam sintomas silenciosos ou inespecíficos, o que faz com que os pacientes recorram à automedicação para aliviar desconfortos momentâneos. O uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sintomas importantes, atrasar diagnósticos e até agravar quadros clínicos. Por isso, o acompanhamento médico regular e os exames preventivos são fundamentais para identificar alterações precocemente e evitar complicações mais graves”, completa Perla.

Durante o Maio Roxo, a campanha reforça a importância de reconhecer sinais persistentes, evitar a automedicação e manter o acompanhamento médico regular como parte dos cuidados com a saúde digestiva.

*Informações Assessoria de Imprensa

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