A enxaqueca é uma doença genética multifatorial, em que diversos genes combinados com fatores ambientais aumentam o risco de desenvolvimento da doença, que tende a se repetir na família. Se um dos pais sofre de enxaqueca, o filho tem 50% de chance de também ter a condição.
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Segundo a neurologista Thais Villa, médica especialista no tratamento da enxaqueca e fundadora do Headache Center Brasil, clínica pioneira no país nos cuidados integrados da doença, pesquisas recentes analisaram o DNA de milhares de pessoas com e sem enxaqueca e identificaram mais de 180 alterações genéticas (SNPs) associadas à condição.
“Essas variações afetam áreas do cérebro que controlam a regulação de múltiplos neurotransmissores, o funcionamento cerebral, a percepção da dor, as funções cognitivas e a regulação do humor. Isso significa que ter predisposição genética não é sentença, mas que o cérebro da pessoa com enxaqueca é mais sensível”, explica Thais Villa.
A doença é caracterizada por um cérebro hiperexcitado em sofrimento. Irritabilidade, oscilações de humor, déficit de atenção, insônia, náusea e vômitos, dor na cervical, transtorno de ansiedade, sensibilidade à luz, cheiros e sons, entre outros sinais podem estar presentes durante uma crise de enxaqueca. Popularmente conhecida como dor de cabeça, a cefaleia é o sintoma mais comum da doença.
“A enxaqueca é uma doença. A dor de cabeça é um sintoma, assim como a febre, por exemplo. Por ser uma doença de causa hereditária, a enxaqueca não tem cura, e vai acompanhar o paciente desde o nascimento até o fim da vida. Ter acesso ao diagnóstico correto e ao tratamento multiprofissional, atento a todas as variáveis dessa doença tão complexa, vai conduzir o paciente de forma segura a fim de não agravar ainda mais os sintomas da enxaqueca ou trazer outras complicações à vida da pessoa”, orienta a neurologista.
Botox para tratar a enxaqueca
Uma das grandes descobertas no tratamento preventivo da enxaqueca crônica, com resultados cientificamente comprovados, é a aplicação da toxina botulínica, popularmente conhecida como botox. A substância bloqueia a liberação de certos neurotransmissores responsáveis por levar a informação da dor ao cérebro. O tratamento também utiliza medicamentos produzidos a partir de anticorpos monoclonais anti CGRP, com bom perfil de tolerabilidade e quantidade de efeitos colaterais bastante baixa, que cuidam de diversos sintomas da doença.
A enxaqueca atinge cerca de 15% da população mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde. No Brasil, a estimativa é que 30 milhões de pessoas sofram com a doença.
*Informações Assessoria de Imprensa