Com a chegada das festas juninas, fogueiras, fogos de artifício e brincadeiras típicas passam a fazer parte das comemorações em todo o país. Mas, junto com o clima de celebração, aumenta também o número de acidentes envolvendo queimaduras e lesões nas mãos, principalmente durante o manuseio inadequado de fogos ou ao acender fogueiras.
No ano passado, uma criança de três anos sofreu queimaduras de segundo grau após cair em uma fogueira durante uma atividade em uma escola municipal de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Em outro caso, também em 2025, em Cruz das Almas, no Recôncavo da Bahia, uma mulher de 21 anos ficou gravemente ferida após ter o rosto atingido por uma espada junina.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Roberto Luiz Sobania, lembra que muitas ocorrências acontecem por descuido, excesso de confiança no manuseio e, quando envolvem crianças, por falta de supervisão durante as comemorações.
“A orientação é que as fogueiras sejam montadas em locais abertos, afastadas de áreas com grande circulação de pessoas, fios elétricos, árvores, veículos ou materiais inflamáveis. Também é importante evitar o uso de líquidos combustíveis para acender o fogo”, pontua. “Outro ponto importante é respeitar uma distância segura da fogueira, principalmente durante brincadeiras e apresentações típicas. Muitas queimaduras acontecem por aproximação excessiva, tropeços ou perda de equilíbrio, especialmente entre crianças”, acrescenta o especialista.
Já os fogos de artifício devem ser manuseados com muito cuidado e nunca próximos ao rosto ou ao corpo. “Também é fundamental manter distância segura após o acionamento, utilizar apenas produtos certificados e jamais tentar reacender fogos que falharam”, explica o médico.
Quando os acidentes acontecem, os danos podem ser severos. As mãos estão entre as partes do corpo mais atingidas durante explosões e queimaduras provocadas por fogos de artifício. Dependendo da gravidade, as lesões podem comprometer pele, músculos, tendões, nervos e até os ossos.
“Em alguns casos, o paciente precisa passar por cirurgias reconstrutivas, enxertos e um longo processo de reabilitação. Existem situações em que as sequelas são permanentes, comprometendo movimentos e atividades simples do dia a dia, como escrever, segurar objetos ou trabalhar”, destaca o médico.
O presidente da SBCM destaca que muitas das lesões atendidas nesse período poderiam ser evitadas com mais conscientização sobre os riscos envolvidos nas brincadeiras juninas.
“Muitas vezes, por fazerem parte das tradições juninas, fogos de artifício e fogueiras acabam sendo tratados sem a devida percepção de risco, mas estamos falando de situações que podem comprometer definitivamente a mobilidade das mãos e a qualidade de vida das pessoas. Por isso, é fundamental que a diversão venha acompanhada de cuidado e responsabilidade”, conclui.
*Informações Assessoria de Imprensa