
A sociedade, de maneira geral, começou a debater mais as questões relacionadas à saúde mental: meses com campanhas dedicas ao tema, abordagem nas mídias e, inclusive, normativas trabalhistas têm levado em conta o bem-estar emocional da população. Apesar disso, há, ainda, barreiras a serem vencidas quando o assunto é a psicoterapia e a busca por uma ajuda profissionalizada. Para algumas pessoas, fazer terapia é encontrar respostas prontas – o que não é verdade.
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O preconceito, muitas vezes do próprio paciente, ainda é o maior responsável por afastar a população do auxílio psicológico. Além disso, o autoconhecimento ainda é pouco valorizado em nossa cultura, como destaca a psicoterapeuta especialista no método Gestalt, Adriana Maximina. “Também existem outras razões, como por exemplo, o medo de entrar em contato com a própria dor, medo de julgamentos, vergonha, crenças aprendidas de que se pode dar conta de tudo sozinho adiando o autocuidado.”
Durante o mês de janeiro, por exemplo, campanhas específicas convidam a sociedade a falar sobre saúde mental sem preconceitos. “Buscar ajudar implica se colocar no processo psicoterapêutico, isso é igual a assumir responsabilidade pela própria vida e pelo seu modo de pensar, sentir, agir e a se relacionar. Na perspectiva da Gestalt-terapia, que é a abordagem que fundamenta meu trabalho na clínica, isso significa que os ajustamentos criativos realizados que antes funcionavam, hoje limitam. Dessa forma, buscar ajuda exige vulnerabilidade e isso é visto como fraqueza, gerando angústia”, comenta a psicoterapeuta.
Esse processo de entrar em contato com a própria vulnerabilidade, considerando dores, medos e angústias, possibilita a compreensão e ressignificação do sofrimento. Segundo Adriana, do ponto de vista neurobiológico, “experiências de escuta, vínculo e reflexão podem favorecer a reorganização dos circuitos neurais, fortalecendo novas vias de resposta emocional e relacional.” Além disso, vale reforçar que cada paciente tem o próprio tempo e amadurecimento, então o processo é sempre muito individual.
Por quanto tempo é necessário fazer terapia?
Por esse motivo, comenta a profissional, muitos pacientes começam, interrompem e recomeçam o processo terapêutico, mas cada início é diferente do anterior. “Cabe ao psicoterapeuta sustentar esse percurso, acompanhando o ritmo do paciente e ajudando-o a construir, no encontro, sentidos possíveis para aquilo que está sendo vivido. Cada vez que alguém inicia um processo terapêutico, mesmo após interrupções, não está simplesmente recomeçando, mas se revelando de uma nova maneira, no seu próprio tempo e no ritmo possível daquele momento de vida.”
Outro ponto é que existem processos breves e outros mais longos, dependendo do sofrimento pelo qual o paciente está passando. “Algumas chegam à psicoterapia em busca de alívio rápido para um sofrimento mais agudo e, quando a intensidade da angústia diminui, sentem-se satisfeitas em encerrar. Outras permanecem porque, ao entrar em contato consigo, descobrem e redescobrem novos conflitos, dúvidas e sentidos que pedem continuidade. Na minha prática, costumo convidar a pessoa a permanecer um pouco mais, para que aquilo que foi tocado possa ser mais bem elaborado. Ainda assim, quando pensamos em uma psicoterapia breve, cerca de doze sessões já podem ser suficientes para ampliar a consciência e olhar para o próprio conflito com mais clareza, cuidado e ternura”, afirma.
Participação ativa faz a diferença
E buscar a terapia não é somente esperar que o profissional resolva todos os problemas. Aqui, é essencial, também, participar ativamente do processo. De acordo com Adriana, isso significa estar presente, falar de si, dar a oportunidade de sentir e refletir sobre os próprios comportamentos. “A regularidade também é fundamental: comparecer às sessões, respeitar o ritmo do processo e sustentar o vínculo favorecem a construção de continuidade e aprofundamento. Quando o paciente se compromete com esse percurso, os efeitos da psicoterapia tendem a ser muito mais consistentes e transformadores”, finaliza.
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