EXPERIÊNCIA DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA DOMICILIAR ÀS CRIANÇAS DEPENDENTES DE TECNOLOGIA.

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2021-05-25 | 16:23h
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Experiência do enfermeiro na assistência domiciliar ás crianças dependentes de tecnologia. RESUMO Este estudo tem como objetivo compreender a experiência do enfermeiro na assistência domiciliar ás crianças dependentes de tecnologia. Foi utilizado uma pesquisa bibliográfica de caráter descritivo-exploratória, desenvolvida na forma de revisão de literatura. Para isso o desenvolvimento tecnológico e pesquisa destinada a terapia intensiva pediátrica e neonatal nas últimas décadas, proporcionaram qualidade de vida a crianças dependentes de tecnologia (CDT), caracterizando a dependência de artefatos tecnológicos para compensar a perda de uma função vital decorrente de lesões traumáticas, doenças graves, que em muitos casos anteriormente seriam condenadas à morte, hoje sobrevivem e ampliam a expectativa de vida.

O enfermeiro diante da situação de adaptar a família em sua nova realidade durante a transição da internação hospitalar para internação domiciliar, possui um papel fundamental como educador. Os resultados encontrados poderão edificar o conhecimento para mudanças no processo de trabalho na internação domiciliar, de forma que sua fundamentação não seja apenas norteada e sim possibilitando que as dimensões educativas sejam integradas ao movimento de cuidado em saúde a crianças dependentes de tecnologia.

INTRODUÇÃO

A tecnologia disponível atualmente na área da saúde, contribuiu e muito para o aumento do número de crianças que sobrevivem às doenças graves ou lesões traumáticas, o que levou a mudanças na qualidade de vida e exigiram cuidados especiais, pois essas crianças recebem alta hospitalar portando suportes tecnológicos aplicados à saúde humana, sendo alguns exemplos, traqueostomia, gastrostomia, urostomia, colostomia, ileostomia e cateteres centrais levando-as a se tornarem dependentes de tecnologia1 . As causas dessa dependência, variam, podem ser resultado de malformações congênitas, doença crônica ou genética ou estar associada a prematuridade, infecções ou acidentes. Sendo estas tecnologias, definidas como um conjunto de conhecimentos tecnocientificos utilizados para a preservação do nível de saúde

Para discorrer sobre o desenvolvimento da assistência de enfermagem domiciliar às crianças dependentes de tecnologia (CDTs), primeiramente é fundamental compreender a forma como se configura na atualidade, uma vez que é uma prática recente no Brasil. De um modo geral, todos os teóricos concordam que, o modelo clinico-hospitalar, não supre aos propósitos da assistência domiciliar (AD). Portanto, para que efetivamente o enfermeiro contemporâneo esteja altamente capacitado é imprescindível que ele utilize como parâmetro o modelo hospitalar-psicossocial, que tem como foco (o doente; o familiar e o profissional) uma relação interdinâmica comportamentalista. Desse modo, na AD analisa-se as informações coletadas, referente ao paciente, com a finalidade de sugerir resolução prática e funcional, com o compromisso de melhoria da condição física e psíquica do convalescente.

Cabe aqui ressaltar que as CDTs, apresentam inevitabilidade de uma metodologia de cuidados contínuos, ou seja, com necessidades médicas e de enfermagem contínuas, cuidados criativos e sensíveis por parte do profissional. Observando que o agravo da doença se com necessidades dá por dois aspectos centrais, a fragilidade clínica e a vulnerabilidade social. Com isso, o especialista, enfrenta rotineiramente no domicílio do doente, situações limites como, por exemplo, risco de infecção e convulsão, que por sua vez, podem leva-las a morte, caso o técnico não suceda as ações necessárias para garantir a sobrevivência. Tendo isso em vista, é necessário superar desafios e barreiras invencíveis, além das condições ambientais impostas pela residência. Essas condições que permeiam as CDTs, enfatizam também que a sua doença e sua debilidade, acaba por alterar consideravelmente o dinamismo familiar, levando-os ao estresse 6 e uma desestruturação no grupo doméstico. Tornando assim, a família um ponto primordial de atenção, junto aos cuidados prestados às crianças.

Assim, cuidar dessas crianças, transforma-se em uma provação para os familiares, que se julgam responsáveis diretos pela sua sobrevivência. Vários cuidados essenciais envolvem procedimentos de enfermagem, no qual o responsável precisa integrar na sua rotina diária, esse acompanhamento integral, leva-os a abandonar o emprego para dedicar-se plenamente ao convalescente. Os familiares são a fonte vitalícia de cuidado, por essa razão traçam métodos de execução, de acordo com a sua concepção de prudência, oriundo de conhecimentos recém adquiridos ou até mesmo os que assimilaram no decorrer do dia-a-dia

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Diversos estudos mostram que muitas vezes existe da parte do familiar um excesso de cuidado, o que promove uma limitação na assistência prestada pelo enfermeiro, estes estudos revelam também, que muitas vezes essas famílias formam uma rede de apoio social, visto uma interação com outros familiares que perpassam pelos mesmos dilemas, ajudando e orientando umas às outras emocionalmente, socialmente e economicamente

Em decorrência disso, considera-se o domicilio um campo de interação entre o enfermeiro, a equipe de enfermagem e a família. E nessa relação destaca-se o enfermeiro, como referência de confiança do familiar. Pois é para ele que recorrem em situações distintas, para auxilia-los sempre que necessário e dentro do que estiver ao seu alcance como por exemplo: momentos de angustia do familiar frente a doença, crise de dor aguda na criança, explicações de procedimentos adequados, como por exemplo, manusear equipamentos técnicos, apoio e orientação psicológica para o familiar e para o enfermo, entre outros. Portanto, é primordial que o enfermeiro obtenha o conhecimento das condições de moradia e saneamento do paciente e familiar, a dinâmica da casa, renda familiar, crença costumes e as relações entre as crianças, os familiares e amigos.

Diante disto, o enfermeiro tem sua atenção e cuidados em dobro, voltada tanto ao paciente como para o familiar pois a prudência com o enfermo no domicílio é diferente das cautelas necessárias em um ambiente hospitalar. Posto que, a desorganização do profissional pode acarretar ansiedade e desgaste físico, tanto para o paciente como para o familiar e até mesmo para o enfermeiro, podendo assim ocasionar certos riscos para todos os envolvidos.

O modelo de cuidado Hospitalar-Psicossocial, apresenta-se com muitas vantagens para o AD, pois iniciase com a proposta do médico e enfermeiro, ajustando, junto ao familiar, os procedimentos necessários, medicações e aparelhagem que será utilizada no domicílio. Sendo que fica com o enfermeiro a função de orientar o familiar quanto: o que será feito; para quê será feito e como 7 será feito. E procurará assim, orienta-lo quanto a melhor forma de proceder, para que o cuidador ou familiar prossiga com o tratamento durante os momentos de ausência do profissional.

Esta estratégia exige do enfermeiro o conhecimento amplo sobre os princípios básicos assistência domiciliar, para que com esse amplo conhecimento tenha discernimento para tomar decisões e autonomia perante seu paciente e o familiar. Desse modo o enfermeiro também deve ter autonomia para questionar o sistema de saúde e apontar erros e acertos de conduta ética-moral, referente ao sistema em que está vinculado, reivindicando assim recursos que respondam às necessidades do paciente, e ter respaldo legal, para a realização plena de sua função como enfermeiro assistencial domiciliar

Todavia, o conhecimento do enfermeiro não é o único fator para o desenvolvimento de uma boa AD, existem fatores que tanto auxiliam, como prejudicam o desenvolvimento de um bom atendimento ao paciente. Pois este trabalho possui uma conexão direta com a rede de atenção à saúde. Ele é quem determina qual profissional e para qual local será deslocado. Embora é de conhecimento público os desafios de estrutura enfrentado no programa de atendimento domiciliar ou internação domiciliar, pois, observa-se a dificuldade organizacional para suprir o profissional como: a disponibilidade de transporte adequado; a definição antecipadamente sobre o fluxo da equipe a uma determinada localidade; a continuidade desse atendimento ao mesmo paciente; a junção de comunicação e integração entre os diferentes serviços existentes na atenção primária à saúde; falta de aparelhagem adequada na residência do paciente crônico9 .

OBJETIVO

Caracterizar a experiência do enfermeiro na assistência domiciliar às crianças dependentes de tecnologia. Levantar as dificuldades no relacionamento profissional-família, durante a assistência domiciliar à criança dependente de tecnologia.

MÉTODO

Tipo de Pesquisa Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de caráter descritivo-exploratória, desenvolvida na forma de revisão de literatura. A revisão bibliográfica analisa e conhece as contribuições culturais ou científicas existentes sobre um assunto, tendo por objetivo explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. Apresenta as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre um determinado assunto, analisando as diversas posições acerca de um problema e costuma ser desenvolvida com base em material já elaborado, constituído, principalmente de livros e artigos científicos Materiais Será efetuado um levantamento bibliográfico sobre o assunto a ser pesquisado em bases de dados eletrônicos (Bireme, Lilacs e Portal Scielo), dentre outros dispostos na Biblioteca Virtual em Saúde da Biblioteca Latino Americana da Universidade Federal de São Paulo (BIREME). O período estudado será os últimos cinco anos (2009 a 2017), estando estas, no idioma Inglês ou Português.

Os descritores selecionados para a busca encontram-se identificados nos DECs (Descritores em ciências da saúde) e serão os seguintes: atendimento Home care; crianças crônicas; crianças dependentes de tecnologia; enfermagem em Home care; cuidado domiciliar. 3.3 Instrumento de coleta de dados Para registro dos dados sobre os artigos.

Operacionalização da coleta de dados Após a identificação dos artigos, serão analisados primeiramente os resumos e, posteriormente, a publicação na íntegra. Após a leitura dos artigos e decisão por sua inclusão no estudo, será preenchido o instrumento de coleta com os dados encontrados na publicação.

REFERÊNCIAS

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