Especialistas esclarecem diferenças entre Leucemias e Linfomas e destacam avanços no diagnóstico e tratamento

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(Foto: Freepik)

Apesar dos nomes parecidos, leucemias e linfomas são doenças diferentes. Ambas fazem parte do grupo dos cânceres hematológicos, mas possuem sinais e sintomas, diagnóstico e tratamentos distintos. É o que informam a médica patologista e hematopatologista Cristiane Bedran Milito, presidente da Associação Estadual de Patologia do Rio de Janeiro (APERJ) e membro da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), e o médico hematologista Rony Schaffel, membro da Comissão de Linfomas da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

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Segundo Schaffel, embora ambas acometam células do sangue, a principal diferença está na forma como essas doenças se manifestam.

“Quando falamos em leucemias, estamos nos referindo, de forma geral, a doenças que acometem o sangue e a medula óssea, onde as células sanguíneas são produzidas. Já os linfomas costumam se apresentar como tumores, principalmente nos linfonodos – as chamadas ínguas – embora também possam surgir em outros órgãos”, pontua o hematologista, que também é chefe do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Outro ponto importante é que não existe apenas um tipo de leucemia ou de linfoma.

“As leucemias nascem de células mieloides (grupo de células do sangue e do sistema imunológico que se originam de células-tronco na medula óssea) ou linfoides (um tipo fundamental de glóbulo branco essencial para o sistema imunológico), podendo ser agudas ou crônicas, mieloides ou linfoides”, explica Cristiane, que também é professora da UFRJ.

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A patologista e hematopatologista esclarece, ainda, que os linfomas também possuem dezenas de subtipos, originados de diferentes tipos de linfócitos, tipo de glóbulo branco (leucócito) que compõe o sistema imunológico: “Cada um apresenta comportamento, prognóstico e tratamento próprios”, complementa.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra aproximadamente 12 mil novos casos de leucemia e 12,5 mil novos casos de linfoma por ano, principalmente do linfoma não-Hodgkin, grupo de doenças que se origina nos linfócitos e pode acometer linfonodos, baço, medula óssea e diversos outros órgãos.

Esses números colocam leucemias e linfomas entre os sete tipos de câncer mais frequentes no Brasil, atrás apenas de tumores como mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago. De forma geral, ambas as doenças são mais frequentes em homens e em pessoas acima dos 50 ou 60 anos, embora existam exceções importantes, como a leucemia linfoblástica aguda, um dos cânceres mais comuns da infância, e o linfoma de Hodgkin, grupo de doenças que frequentemente acomete adultos jovens.

Sintomas e diagnóstico

Os especialistas detalham que tanto as leucemias quanto os linfomas podem ser confundidos com infecções, viroses ou outras doenças comuns, razão pela qual a avaliação médica é fundamental diante de sinais e sintomas persistentes. Cabe ao médico generalista encaminhar o paciente ao hematologista quando houver suspeita dessas doenças.

Por afetarem o sangue e sua produção na medula óssea, pacientes com leucemia podem apresentar cansaço intenso, palidez, febre recorrente, infecções frequentes, sangramentos ou hematomas sem causa aparente, emagrecimento e indisposição. Já os linfomas costumam se manifestar principalmente por aumento persistente dos gânglios, nódulos no pescoço, axilas ou virilhas, febre sem causa definida, perda de peso, suor noturno, tosse persistente ou falta de ar quando acometem o tórax.

Embora o hematologista seja responsável pela investigação clínica e pelo tratamento, o médico patologista exerce papel fundamental na confirmação diagnóstica, especialmente nos linfomas, por meio da análise das biópsias dos linfonodos ou de outros tecidos acometidos. Em situações específicas, também participa da avaliação de biópsias de medula óssea e de outros materiais utilizados na investigação de algumas leucemias.

De acordo com Cristiane, “A partir da biópsia, utilizamos a avaliação microscópica e técnicas como a imunohistoquímica, que identifica proteínas específicas em amostras de tecido, para dar nome e sobrenome ao linfoma. Essa classificação é fundamental porque cada subtipo possui tratamento e prognóstico diferentes”. Ela afirma ainda que outros exames como FISH, hibridização in situ e testes moleculares também auxiliam na definição precisa do subtipo da doença e na escolha das terapias mais adequadas.

Evolução dos tratamentos

O tratamento depende do tipo de leucemia ou linfoma, detalham os especialistas. Nas leucemias agudas, geralmente envolve quimioterapia e, em alguns casos, transplante de células-tronco hematopoéticas (transplante de medula óssea). Já as leucemias crônicas podem ser controladas durante muitos anos apenas com medicamentos orais ou mesmo sem necessidade imediata de tratamento, o que precisa ficar claro para os pacientes durante o acompanhamento com o hematologista.

Nos linfomas, a maior parte dos pacientes recebe quimioterapia ou imunoquimioterapia, havendo também indicação de transplante de células-tronco hematopoéticas em situações específicas. Schaffel considera que os resultados atuais são bastante animadores.
“Hoje temos condições de oferecer qualidade de vida para praticamente todos os pacientes. Em muitos casos, nosso objetivo é a cura, e quando isso acontece o paciente pode retomar sua rotina normalmente, mantendo apenas o acompanhamento médico periódico”, afirma o hematologista.

Entre os avanços mais promissores está a terapia CAR-T Cell, que se popularizou recentemente na imprensa devido a casos de remissão duradoura em pacientes com cânceres hematológicos avançados. Nessa estratégia, tipos específicos de linfócitos, os linfócitos T, são coletados do próprio paciente, modificados em laboratório para reconhecer células tumorais e reinfundidos no organismo, potencializando a resposta imunológica contra o câncer.

O professor da UFRJ detalha que o tratamento é extremamente inovador: “Ele é indicado principalmente para alguns casos de leucemia linfoblástica aguda e de linfoma difuso de grandes células que retornaram após os tratamentos convencionais. Ainda é uma terapia complexa e de alto custo, mas representa uma importante perspectiva para pacientes que antes tinham poucas opções terapêuticas.”

Além disso, Schaffel ressalta que, no Brasil, embora a terapia CAR-T Cell já esteja disponível na saúde suplementar para indicações aprovadas, o acesso pelos planos de saúde ainda pode exigir judicialização em determinadas situações. No Sistema Único de Saúde (SUS), por sua vez, a terapia ainda não integra a oferta regular, estando disponível principalmente por meio de protocolos de pesquisa conduzidos em centros de referência, que selecionam pacientes conforme critérios específicos.

*Informações Assessoria de Imprensa

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