Epilepsia ainda é cercada por mitos, mas tem tratamento e controle na maioria dos casos

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(Foto: Freepik)

A epilepsia é uma condição neurológica que ainda enfrenta forte estigma social, apesar dos avanços no diagnóstico e no cuidado clínico. Cercada por ​muitos ​mitos e desinformação, a doença continua sendo motivo de preconceito, o que ​atrasa​ a busca por atendimento médico e dificulta a vida de quem convive com o distúrbio. Informar a população sobre sinais de alerta, manejo e primeiros socorros é considerado fundamental para reduzir o estigma e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

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Caracterizada por crises recorrentes provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro, a epilepsia afeta cerca de 50 milhões de ​indivíduos​ no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estimativas apontam que aproximadamente 2 milhões convivem com a condição.

​​De acordo com Nely Sartori, neurologista do Hospital Regional de Assis, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP)​ e​ gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, o estigma associado à epilepsia tem raízes históricas profundas. “Durante séculos, a doença foi cercada por medo, superstição e falsas ideias de contágio”, afirma a especialista. ​​

Segundo ela, crenças equivocadas, como a ideia de que a saliva ​pode ​transmitir ​essa condição​, ajudaram a reforçar o afastamento social ao longo da história e contribuíram para a exclusão de pessoas com epilepsia em diferentes contextos.

Esse legado ainda repercute atualmente. “O problema não é apenas a ​​manifestação​​ em si, mas também o preconceito que limita oportunidades e faz muit​os​ esconderem o diagnóstico ou atrasarem a busca por tratamento”, explica a médica. O impacto do estigma pode afetar desde a permanência na escola até a inserção no mercado de trabalho e a autonomia na vida adulta.

Embora ​a ​​maioria ​relacione​​ o transtorno apenas a convulsões, nem sempre os sinais são tão evidentes. “Nem toda crise corresponde àquele episódio convulsivo em que a pessoa se debate. Elas podem aparecer como olhar parado, desligamentos breves, mastigação automática, sensação súbita de medo, déjà vu, cheiro ou gosto estranho, fala desconexa ou quedas sem explicação”, explica a neurologista. Essas manifestações mais sutis, conhecidas como crises focais não motoras, podem passar despercebidas ou ser confundidas com distração, ansiedade ou alterações comportamentais, o que frequentemente atrasa o diagnóstico.

Identificar corretamente o tipo de manifestação é fundamental para definir a abordagem mais adequada. “O diagnóstico preciso define o tipo de crise, a síndrome epiléptica e a causa, e isso muda completamente a conduta clínica e o prognóstico”, afirma. Ainda segundo a médica, até 70% das pessoas com epilepsia podem ficar ​assintomáticas​ quando recebem diagnóstico correto e utilizam as medicações de forma adequada.

Por outro lado, interromper ou não seguir o cuidado indicado aumenta os riscos de complicações​, internações e até de morte súbita associada ao distúrbio.​ ​​​Saber como agir também pode evitar acidentes e complicações​​. “O essencial é afastar objetos perigosos, proteger a pessoa de traumas, cronometrar o episódio convulsivo e afrouxar roupas apertadas”, orienta a neurologista. Após a ocorrência, a pessoa deve ser colocada de lado para facilitar a respiração e evitar aspiração de secreções.

Algumas condutas habituais, porém, podem representar risco. “Jamais se deve colocar objetos na boca, puxar a língua, dar água ou medicamentos durante a crise ou tentar imobilizar a pessoa. Isso pode ferir em vez de socorrer”, ressalta a especialista. Deve-se acionar o serviço de emergência caso a alteração dure mais de cinco minutos, ocorram episódios repetidos sem recuperação entre eles, haja trauma significativo ou seja a primeira manifestação da pessoa.

Para a médica, ampliar o conhecimento sobre a doença é essencial para reduzir o preconceito e garantir que mais pessoas ​busquem acompanhamento​. “Epilepsia tem tratamento e não deve ser escondida. Com diagnóstico correto e acesso ao cuidado, a maioria das pessoas pode controlar as crises e ter uma vida plena”, conclui.

*Informações Assessoria de Imprensa

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