As fortes chuvas e enchentes que atingem diversas cidades brasileiras não causam apenas prejuízos materiais. Elas também elevam o risco de doenças graves, como a leptospirose, uma infecção pouco discutida, mas que continua fazendo vítimas, especialmente em áreas afetadas por alagamentos.
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De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil contabilizou 2.103 casos de leptospirose até o 23 de setembro de 2025, com 164 mortes confirmadas. A doença é provocada pela bactéria Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com a urina de animais infectados, sobretudo ratos, presente em água e lama contaminadas.
Segundo a infectologista do São Cristóvão Saúde, Michelle Zicker, as enchentes criam um ambiente propício para a disseminação da bactéria. “A Leptospira pode penetrar no organismo por pequenas lesões na pele, pelas mucosas ou pelo contato prolongado com água contaminada. As inundações favorecem a persistência da bactéria no ambiente, aumentando o número de casos, especialmente nos períodos de calor e chuvas”, explica.
Sintomas podem evoluir para quadros graves
A leptospirose pode se manifestar inicialmente de forma leve, mas exige atenção. Os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, falta de apetite, náuseas, vômitos e dores musculares, principalmente nas panturrilhas. “Esse tipo de dor muscular, quando presente, pode levantar a suspeita da doença”, destaca a infectologista.
Cerca de 15% dos pacientes evoluem para formas graves após a primeira semana. Nesses casos, a doença pode causar a chamada síndrome de Weil, caracterizada por icterícia intensa, insuficiência renal e hemorragia pulmonar, condições potencialmente fatais.
O tratamento é feito com antimicrobianos e apresenta melhores resultados quando iniciado precocemente. Enquanto os casos leves podem ser acompanhados em ambulatório, os quadros graves exigem internação hospitalar. A automedicação não é indicada e pode agravar o estado de saúde.
Prevenção é fundamental após enchentes
A leptospirose está diretamente relacionada a condições sanitárias precárias e à proliferação de roedores. Por isso, a prevenção depende tanto de cuidados individuais quanto de ações de saneamento básico.
Entre as principais recomendações estão:
“As enchentes representam um risco significativo à saúde, mas a prevenção e a atenção aos sintomas fazem toda a diferença. Ao apresentar qualquer sinal suspeito, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente e informar sobre o contato com áreas alagadas”, orienta Michelle Zicker.
*Informações Assessoria de Imprensa