É possível pegar dois vírus ao mesmo tempo: entenda como acontecem as coinfecções respiratórias

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(Foto: katemangostar/magnific)

O Brasil já notificou mais de 100 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, segundo o mais recente Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com circulação simultânea de agentes como vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, influenza A, influenza B e SARS-CoV-2.

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Embora muitas pessoas associem sintomas respiratórios a uma única virose, é possível que diferentes vírus infectem o organismo simultaneamente, principalmente durante o inverno, um fenômeno conhecido como coinfecção respiratória, conforme explica Alessandra Zacarias, Especialista em Soluções de Diagnóstico em Saúde da QIAGEN.

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“Quando influenza, VSR, SARS-CoV-2, rinovírus e outros agentes estão circulando ao mesmo tempo, uma pessoa pode ser exposta a mais de um deles em um curto intervalo. Dependendo da resposta imunológica de cada indivíduo, é possível que dois ou mais patógenos infectem o organismo simultaneamente durante o mesmo episódio infeccioso”, aponta.

Embora nem toda coinfecção resulte em um quadro mais grave, identificar corretamente quais agentes estão envolvidos pode fazer diferença na condução clínica, sobretudo entre pacientes mais vulneráveis.

“Os sintomas costumam ser muito semelhantes, independentemente do vírus causador. Febre, tosse, congestão nasal, dor de garganta e mal-estar são manifestações comuns a diversos vírus, o que dificulta diferenciar com segurança, apenas pela avaliação clínica, se existe um único vírus ou uma coinfecção”, afirma Alessandra.

Testes multiplex ampliam a capacidade de identificar coinfecções respiratórias

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), com a circulação simultânea de diferentes vírus durante os períodos de maior incidência de doenças respiratórias, os testes laboratoriais desempenham um papel relevante para apoiar o diagnóstico diferencial. E é justamente nesse cenário que os testes moleculares multiplex ganham importância. Essas tecnologias já fazem parte da rotina de hospitais privados, laboratórios e centros de referência no Brasil, principalmente quando a pressão sobre os serviços de saúde se intensifica.

Diferentemente dos exames que pesquisam apenas um agente infeccioso por vez, os chamados painéis respiratórios sindrômicos utilizam tecnologia de PCR em tempo real para detectar simultaneamente diversos vírus e bactérias respiratórias em uma única amostra, com resultados disponíveis em aproximadamente uma hora.

“Quando investigamos apenas um patógeno, existe a possibilidade de o resultado explicar apenas parte do quadro clínico. Os testes multiplex permitem pesquisar diversos vírus e bactérias ao mesmo tempo, identificando inclusive situações de coinfecção e oferecendo uma visão mais completa para apoiar a decisão médica”, explica Alessandra.

Além de ampliar a precisão diagnóstica, essa abordagem permite ao médico conhecer, em um único exame, quais vírus ou bactérias estão envolvidos no quadro infeccioso, contribuindo para uma tomada de decisão mais rápida e baseada em evidências laboratoriais.

Crianças, idosos e imunossuprimidos merecem atenção especial

Embora qualquer pessoa possa desenvolver uma coinfecção respiratória, alguns grupos apresentam maior risco de complicações decorrentes das infecções respiratórias. Entre eles estão crianças, especialmente menores de cinco anos; idosos; pessoas imunossuprimidas; pacientes com doenças respiratórias crônicas ou outras condições que comprometem a resposta imunológica.

“Nesses pacientes, compreender exatamente quais microrganismos estão envolvidos pode ser ainda mais relevante para o acompanhamento clínico e para a definição da melhor estratégia de cuidado”, afirma Alessandra.

Além de ampliar a precisão diagnóstica, identificar corretamente se a infecção é viral, bacteriana ou uma coinfecção pode contribuir para evitar o uso desnecessário de antibióticos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a resistência antimicrobiana uma das principais ameaças globais à saúde pública e reforça a importância do uso racional desses medicamentos para preservar sua eficácia no tratamento das infecções bacterianas.

“Um diagnóstico mais preciso permite apoiar decisões clínicas mais assertivas e evita tratamentos desnecessários. Em um cenário em que diversos vírus respiratórios circulam simultaneamente, conhecer exatamente o agente causador da infecção é um passo importante para oferecer uma assistência mais eficiente ao paciente”, conclui Alessandra.

*Informações Assessoria de Imprensa

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