Dor na lombar, virilha e pernas pode estar ligada à endometriose

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(Foto: stefamerpik/Magnific)

A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo e pode se manifestar de diferentes formas. Por isso, algumas pacientes convivem durante anos com sintomas variados antes de chegar ao diagnóstico correto. Cólicas menstruais intensas e dor pélvica são os sinais mais conhecidos da doença, mas ela também pode estar associada a dores recorrentes na lombar, no quadril, na virilha e até nas pernas.

Segundo o ginecologista e pesquisador da endometriose Igor Chiminacio, essas manifestações, que nem sempre são inicialmente associadas a um problema ginecológico, podem ocorrer quando a doença compromete tecidos profundos e estruturas nervosas da pelve.

Além das lesões propriamente ditas, o processo inflamatório provocado pela endometriose pode levar à formação de fibrose e à retração dos tecidos, atingindo estruturas próximas, inclusive nervos. Como consequência, a dor pode se irradiar para regiões mais distantes do útero.

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“Quando uma mulher apresenta uma dor recorrente na perna, no quadril ou na lombar, especialmente quando existe alguma relação com o ciclo menstrual, é importante que a endometriose também entre no raciocínio clínico. Nem toda dor provocada pela doença estará localizada exatamente onde está a lesão”, explica Chiminacio.

Teoria do Polvo
Durante muitos anos, a endometriose foi explicada principalmente a partir da presença e da localização dos focos da doença. Para Chiminacio, porém, é importante considerar também os tecidos onde essas lesões se desenvolvem, já que eles possuem nervos, vasos sanguíneos e fibras de colágeno capazes de transmitir a dor e sofrer alterações provocadas pela inflamação.

Para representar essa relação de maneira didática, o especialista criou a chamada “Teoria do Polvo”, um modelo visual que busca ilustrar como a endometriose pode afetar diferentes estruturas da pelve e provocar sintomas em outras regiões do corpo.

O conceito foi apresentado no Congresso Global da AAGL, em Vancouver, e publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology.

Teoria do polvo apresentada pelo Dr. Igor Chiminacio. Divulgação. 
  •  O que é?
    Modelo visual desenvolvido pelo ginecologista e pesquisador Igor Chiminacio para explicar como a endometriose pode provocar dores em diferentes regiões do corpo.
  • Qual é a metáfora?
    Na representação, o útero corresponde à “cabeça” de um polvo, enquanto os tecidos que dão sustentação ao órgão são comparados aos “tentáculos”. Essas estruturas são ricas em nervos, vasos sanguíneos e fibras de colágeno e podem ser comprometidas pela doença.
  • Qual é o principal ponto?
    A proposta é ampliar a compreensão da endometriose para além dos focos visíveis. Inflamação, fibrose e retração dos tecidos também podem contribuir para o surgimento de sintomas que se manifestam longe da região uterina.
  • Quais sintomas podem passar despercebidos?
    Além das cólicas menstruais e da dor pélvica, a endometriose pode estar associada a dores na lombar, no quadril, na virilha e nas pernas. Também podem ocorrer dor durante as relações sexuais, ao evacuar ou ao urinar, especialmente quando esses sintomas apresentam relação com o ciclo menstrual.
  • Como isso pode impactar o diagnóstico?
    Por apresentarem sintomas em diferentes partes do corpo, algumas pacientes podem procurar inicialmente especialistas como ortopedistas, neurologistas, urologistas ou gastroenterologistas antes de investigar a possibilidade de endometriose.

Chiminacio ressalta que isso não significa que toda mulher com dor lombar ou nas pernas tenha endometriose. O alerta é para sintomas persistentes ou recorrentes, principalmente quando aparecem associados a cólicas menstruais intensas, dor nas relações sexuais, dor para evacuar ou urinar durante a menstruação ou dificuldade para engravidar.

“’A Teoria do Polvo’ não substitui o conhecimento médico sobre a endometriose, mas é uma ferramenta que vem para auxiliar o profissional no diagnóstico e, ainda, as pacientes na compreensão dos seus sintomas”, finaliza o médico.

*Informações Assessoria de Imprensa

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