Diagnóstico correto e tratamento correto de anemia em crianças evita complicações 

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(Foto: pvproductions/Freepik)

De acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS – 2006), cerca de 20,9% das crianças brasileiras menores de cinco anos foram diagnosticadas com anemia. Entre bebês menores de dois anos, a prevalência chega a 24%. Com base em dados nacionais e revisões sistemáticas mais recentes, estima-se que a anemia acomete entre 19% e 35% das crianças de seis a 24 meses de idade, o que caracteriza um importante problema de saúde pública.

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A anemia compromete a capacidade do sangue de transportar oxigênio, o que pode trazer sérias consequências para o desenvolvimento das crianças. Essa condição pode ser classificada em três tipos: microcítica (hemácias pequenas), normocítica (hemácias de tamanho normal) e macrocítica (hemácias maiores).

A principal causa de anemia no mundo e no Brasil é a anemia por deficiência de ferro (anemia ferropriva), que tem as hemácias microcíticas. E é importante a diferenciação com a talassemia (traço alfa e traço beta menor), também com hemácias microcíticas.

No caso da ferropriva, a origem está na carência de ferro, enquanto a talassemia (traço alfa e traço beta menor), é uma condição genética hereditária que interfere na produção da hemoglobina. O diagnóstico correto é fundamental para garantir que cada criança receba o tratamento adequado e tenha qualidade de vida”, explica dra. Sandra Loggetto, hematologista do Sabará Hospital Infantil.

A deficiência de ferro está associada a mais de 60% dos casos de anemia em todo o mundo, sendo uma das mais comuns no público infantil. No Brasil, estudos apontam que até 48% das crianças menores de 5 anos podem apresentar a doença. Seus sintomas incluem desde cansaço, palidez, apatia e taquicardia (nas situações mais graves) ao comprometimento do crescimento e do aprendizado, além de aumentar o risco de infecções. Mas é muito importante ter certeza do tipo de anemia que é apresentada. “A reposição de ferro é eficaz na anemia ferropriva, mas deve ser evitada na talassemia menor, pois pode causar complicações relacionadas ao excesso de ferro e até aos efeitos colaterais do ferro. Inclusive temos crianças que receberam ferro na veia porque consideraram que não absorvia o ferro oral!”, alerta Dra. Sandra.

A talassemia é causada por mutações genéticas que afetam a produção das cadeias alfa ou beta da hemoglobina e quando o problema é na produção das cadeias alfa chamamos de alfa-talassemia e quando é nas cadeias beta chamamos de beta-talassemia. Quando apenas um dos pais é portador, a criança pode desenvolver a forma leve, chamada traço alfa talassemia ou talassemia beta menor. Se ambos os pais são portadores, há risco de formas graves da doença.

“Nos casos graves, a anemia é importante e os sintomas aparecem ainda no primeiro ano de vida e podem incluir palidez, aumento do baço, fraqueza. Se não diagnosticado e tratado, os ossos da face podem ficar proeminentes, além de comprometer o crescimento. Por ser uma doença hereditária, se os pais não sabem que tem o gene alterado, não há como prevenir a talassemia. Mas com acompanhamento clínico de um especialista, a criança tem uma boa rotina”, afirma a especialista.

Já para a prevenção da anemia ferropriva, o Programa Nacional de Suplementação de Ferro recomenda que crianças entre 6 e 24 meses recebam sulfato ferroso. “E em situações específicas, pode iniciar essa suplementação mesmo antes dos seis meses de vida. Caso seja feito o diagnóstico de anemia ferropriva, a criança ou adolescente devem receber tratamento com ferro. A ingestão de alimentos ricos em ferro, vitamina C e vitamina A é fundamental para aumentar a biodisponibilidade de nutrientes. Importante ressaltar que a suplementação de ferro até 24 meses também tem que ser administrada para as crianças com o traço da talassemia”, reforça Dra. Sandra.

“O diagnóstico correto e precoce é essencial para evitar tratamentos inadequados e garantir qualidade de vida às crianças”, conclui a hematologista.

*Informações Assessoria de Imprensa

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