Dia Internacional de Combate às Drogas liga alerta em meio à discussão sobre descriminalização

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(Foto: Ilustração/Pixabay)

O Dia Internacional de Combate às Drogas, estabelecido pela Organização das Nações Unidades (ONU), em 1987 como forma de conscientização mundial sobre o tema, aponta para a necessidade de combater os problemas causados pelo consumo de drogas ilícitas, ações do tráfico e a dependência química.

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Para a diretora do Hospital Psiquiátrico Cleuza Canan, instituição localizada em Piraquara, na Grande Curitiba, há 14 anos, é preciso que o Estado tenha políticas públicas mais severas e efetivas para dificultar o acesso às drogas lícitas e ilícitas.

“Políticas públicas auxiliam na diminuição dos riscos e dificultando a disponibilidade das substâncias. Então, um controle mais rígido diminuiria o problema que temos com o consumo de álcool e outras drogas. Embora tenhamos leis como abstinência alcoólica ao dirigir e proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores, essas leis precisam ser cumpridas na prática pela população. Outra medida que surtiria efeito seria a retirada das propagandas de bebida dos meios de comunicação”, argumenta Cleuza Canan, que tem 44 anos de experiência em consultório e já atendeu mais de 20 mil pacientes com dependência química, comportamental e outros transtornos emocionais.

De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), do Ministério da Saúde, no ano de 2021 o Brasil teve um aumento de casos de atendimento a pessoas com transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de drogas e álcool pelo o Sistema Único de Saúde (SUS), totalizando 400,3 mil atendimentos. O número mostra um aumento de 12,4% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 356 mil atendimentos.

A faixa etária com maior número de atendimentos é a de pessoas com idade entre 25 e 29 anos, somando 303,7 mil registros em 2021, seguida da faixa entre 10 a 24 anos (49,4 mil) e, posteriormente, daqueles com 60+ (38,4 mil). Nesses cenários, o número de pacientes do sexo masculino é superior ao do feminino.

Cleuza Canan explica que o abuso de substâncias como a cocaína e a maconha, por exemplo, podem ser classificadas como dependência química, uma doença incurável e fatal. Mas, que tem tratamento.

“É importante levarmos a informação que o processo de recuperação de um dependente necessita da formação de uma rede de proteção a ele. A sociedade pode ajudar não divulgando, ofertando e glamourizando o uso de substâncias. E também trabalhando a prevenção nas escolas, locais públicos, fazendo cumprir as leis relacionadas ao uso de substâncias lícitas. Ter mais seriedade na discussão da descriminalização das drogas envolvendo a comunidade científica e profissionais de saúde nessa discussão”, acrescenta a diretora da instituição.

A profissional também destaca o papel da família na recuperação dos dependentes químicos: “as famílias formam uma rede de proteção importante, uma vez que a aceitação da doença e orientação profissional também são de grande ajuda. Mudança de hábitos para melhorar o ambiente para o dependente, buscando ajuda psicológica para outros membros da família é fundamental para o tratamento”, acrescenta.

Apesar de ter a venda regulada por lei, a dependência de álcool ainda é o caso mais recorrente no Brasil, ultrapassando o número de 159 mil casos atendidos em todos os níveis de atenção em 2021, seguida do consumo de cocaína, com 31,9 mil casos registrados.

Paraná

De acordo com o Núcleo Estadual de Políticas Sobre Drogas do Governo do Estado 80% dos termos circunstanciados lavrados entre 2017 e 2019 tinham relação com o tráfico de drogas. Curitiba é a região com maior participação de jovens em crimes relacionados ao consumo de drogas: 30% tinham o envolvimento desta faixa etária nesse período. Em seguida, aparecem Paranaguá (8,6%) e Cascavel (7,6%). O programa “Junho Sem Drogas” apresenta eixos estratégicos de ressocialização, que incluem prevenção, reinserção social, tratamento e acolhimento, dentre outras políticas. “Essas políticas representam avanço, mas ainda temos um longo caminho a percorrer”, finaliza Cleuza Canan.

*Informações Assessoria de Imprensa