A exclusão do glúten da alimentação se popularizou como estratégia de estilo de vida, mas médicos alertam que essa prática, quando feita sem orientação, pode trazer mais riscos do que benefícios, especialmente ao dificultar o diagnóstico de doenças relevantes.
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“O principal problema é o autodiagnóstico. Muitas pessoas retiram o glúten por conta própria ao perceberem sintomas, mas isso pode mascarar sinais clínicos e comprometer a investigação adequada”, afirma Áureo Delgado, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia.
Quando o glúten realmente é um problema
O glúten deve ser evitado apenas em condições específicas, como:
Os sintomas podem variar e nem sempre são apenas intestinais. Entre os mais comuns estão:
“Nem todo desconforto após comer pão ou massa é causado pelo glúten. Outras condições, como síndrome do intestino irritável e intolerâncias alimentares, podem estar envolvidos”, explica o especialista.
Por que não tirar o glúten antes de investigar
Para diagnosticar corretamente a doença celíaca, é essencial que o paciente esteja consumindo glúten regularmente. Os principais exames incluem:
Sem o consumo de glúten, esses testes podem apresentar resultados falsamente negativos ou inconclusivos.
“Retirar o glúten antes da avaliação pode atrasar o diagnóstico por meses ou anos, além de exigir reintrodução dessa proteína para refazer os exames, o que pode ser desconfortável para o paciente”, alerta.
Situação no Brasil: subdiagnóstico e acesso aos exames
A doença celíaca afeta cerca de 1% da população mundial, segundo a World Gastroenterology Organisation, mas ainda é subdiagnosticada no Brasil.
Parte do problema está na baixa suspeição clínica e na diversidade de sintomas. Outro ponto importante é que os exames necessários para diagnóstico:
Ou seja, o acesso existe, mas depende de investigação adequada.
Riscos de cortar o glúten sem necessidade
Além de dificultar o diagnóstico, a exclusão alimentar sem orientação pode levar a:
Orientação final
A recomendação do especialista é direta: não retire o glúten por conta própria diante de sintomas.
“Qualquer mudança alimentar deve ser baseada em diagnóstico. O caminho seguro é procurar avaliação médica, investigar corretamente e só então definir a conduta”, reforça o especialista.
*Informações Assessoria de Imprensa